Cinemateca Brasileira realiza mostra de Andrea Tonacci

A Cinemateca Brasileira, em parceria com a Fap – UNIFESP, destaca o cinema de Andrea Tonacci em sua programação. A obra de Andrea Tonacci é um dos grandes momentos da cultura brasileira. Nascido na Itália, em 1944, Tonacci radicou-se no Brasil e fez sua estreia como cineasta com Olho por Olho, um curta-metragem escrito, dirigido e fotografado por ele, e realizado à mesma época – com mesma equipe e câmera – que Documentário, de Rogério Sganzerla, e O Pedestre, de Otoniel Santos Pereira. Em seguida, em meio à censura e à ditadura militar, realiza Blablabla, um poderoso filme político. Com Bang-Bang, um dos marcos do cinema de invenção brasileiro, Tonacci realiza uma de suas obras-primas.

Um dos pioneiros da linguagem do vídeo no Brasil, registrou shows históricos em São Paulo, como o de Miles Davis no Teatro Municipal, na década de 1970. Nesta mesma década, sua obra se aproxima cada vez mais do cinema documental. Em 1975, dirige Jouez Encore, Payez Encore (Interprete Mais, Ganhe Mais), filmado em VT de meia polegada, preto e branco, e posteriormente ampliado para película em 16mm, durante a excursão internacional da encenação teatral da obra de Calderon de La Barca, Os Autos Sacramentais, produzida por Ruth Escobar e dirigida por Vitor Garcia em 1974. Em seguida, iniciou suas pesquisas com as culturas indígenas, em filmes como Guaranis do Espírito Santo (1979), Os Arara (1980) e Conversas no Maranhão.

Realizado entre os anos de 1977 e 1983, Conversas no Maranhão nasceu do contato do diretor e fotógrafo Andrea Tonacci com os índios Canela Apãniekra nos anos 1970. O filme é um importante manifesto dos Canela Apãniekra ao governo brasileiro, no momento da demarcação de suas terras pela Funai. À medida que narra a história da comunidade, os conflitos fundiários, seu massacre e os limites imemoriais de seu território, Conversas no Maranhão observa os rituais e o cotidiano dos Canela Apãniekra, entrevistando também chefes da aldeia. O filme será exibido em cópia digital, com marcação de luz comandada pelo fotógrafo Aloysio Raulino e som restaurado pela Cinemateca Brasileira em 2013.

Tonacci realizou diversos trabalhos em vídeo, como materiais em fitas de meia polegada – filmando algumas comunidades indígenas nos EUA, na América Central e América do Sul, parte de um grande projeto chamado A Visão dos Vencidos. Também registrou performances históricas de músicos como Milton Nascimento, Jards Macalé, Hermeto Pascoal, entre outros, e uma espécie de diário em filme chamado At Any Time…, iniciado na década de 1970. Nos anos 1990, dirigiu uma série de curtas e médias-metragens, em que se destacam Bienal Brasil século XX, Theatro Municipal de São Paulo e Biblioteca Nacional.

Depois de um longo período de gestação, em 2006, é apresentada a obra-prima Serras da Desordem. Aqui, Tonacci retoma sua experiência com grupos indígenas. Misturando registro documental e ficção, Serras da Desordem trata do dramático embate entre natureza e civilização e é um dos mais importantes filmes deste século. O filme será apresentado ao ar livre, no espaço externo da Cinemateca. Retomando estudos e materiais realizados em meados da década de 1990 para um filme de ficção chamado Paixões, que, por diversos motivos, não chegou a ser concluído, Tonacci realiza Já Visto, Jamais Visto, em 2013. Num brilhante trabalho de montagem, realizado em parceria com Cristina Amaral, Já Visto, Jamais Visto é uma reflexão profunda sobre cinema e memória. Parte de sua obra está em processo de recuperação e este é um novo passo de uma série de ações em torno do cinema de Tonacci que a Cinemateca Brasileira vem realizando.

No site da Cinemateca, www.cinemateca.gov.br, pode ser conferida a programação completa da mostra.

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