Locações reais de cassino que viraram sets de cinema

O cinema sempre teve uma relação particularmente fotogênica com o cassino. Há algo na coreografia das luzes, no desenho das mesas, no rumor constante de fichas e no brilho calculado dos salões que transforma o cassino em cenário e, muitas vezes, em personagem.

Quando a produção decide filmar em um cassino real (ou em um prédio real “travestido” de cassino), o filme ganha uma camada de textura difícil de reproduzir em estúdio: a arquitetura já carrega um imaginário e a câmera apenas o organiza.

Um caso emblemático é Casino Royale (2006). Curiosamente, o “cassino” do título não foi registrado em um palácio de jogo, mas em Karlovy Vary, na República Tcheca: o antigo Kaiserbad Spa foi usado como exterior do cassino no filme, enquanto o Grandhotel Pupp apareceu como o Hotel Splendide.

O deslocamento é revelador. Ao escolher um edifício termal, com imponência Belle Époque, o filme injeta no cassino uma aura de ritual: menos Las Vegas e mais aristocracia europeia. A estética, aqui, depende da simetria, do mármore, do “silêncio caro”.

Já em Las Vegas, o realismo vem com o excesso. Ocean’s Eleven (2001) apostou no Bellagio Hotel and Casino como palco central do golpe e não apenas como pano de fundo. O Bellagio é um cassino que encena sua própria teatralidade: fontes coreografadas, interiores italianizantes, luxo que se anuncia como espetáculo.

Se em Las Vegas o cassino é sinônimo de néon e excesso, no Brasil ele também já foi palco de elegância, rádio, teatro de revista e cinema: basta lembrar o antigo Cassino da Urca. O prédio abrigava salão de jogos, restaurante, shows musicais e transmissões radiofônicas.

O edifício histórico, com vista frontal para o Pão de Açúcar, já serviu de locação para produções audiovisuais e documentários que revisitam a chamada “era de ouro” do entretenimento carioca, explorando o imaginário do cassino como símbolo de modernidade, glamour e ambiguidade moral.

Se deslocarmos o olhar para o cenário contemporâneo, percebemos que o cassino também migrou para o ambiente digital. No Brasil, onde o debate sobre a regulamentação dos jogos ainda mobiliza o Congresso e a opinião pública, o cassino online tornou-se um novo espaço de experiência. Plataformas como a KTO oferecem diferentes categorias de jogos que ajudam a entender as preferências do público brasileiro.

Segundo relatório do cassino da própria plataforma, os slots lideram com ampla vantagem: representaram 93,55% das rodadas jogadas em dezembro de 2025. Em seguida aparecem os crash games (3,68%), roleta (0,59%) e vídeo bingo (0,43%).

A supremacia dos slots revela uma preferência por jogos rápidos, visualmente chamativos e com multiplicadores expressivos. Esse tipo de jogo também se destaca pelas adaptações de blockbusters, em outra forma de diálogo com o cinema.

No extremo oposto da opulência e da elegância, Cassino (1995), de Scorsese, busca a verdade suja por trás do verniz. A produção filmou à noite no Riviera (interiores) e usou o Landmark (exterior/entrada) para compor o Tangiers fictício.

Essa decisão tem peso estético e político: filmar em cassino real desloca a violência do filme para um ambiente reconhecível, cotidiano, quase burocrático. O cassino deixa de ser fantasia e vira um lugar onde a luz de néon serve menos ao glamour do que à manutenção do poder.

A elegância clássica reaparece em Mônaco. Em GoldenEye (1995), o Casino de Monte-Carlo surge como ícone imediato: um cassino que já foi filmado tantas vezes que carrega, por si, a promessa de sofisticação e perigo.

E existe, claro, o cassino como paisagem pop, quase turística. Se Beber, Não Case! (2009) foi “majoritariamente filmado” no Caesars Palace, com diversas áreas reais do hotel-cassino servindo de locação. O cassino, nesse caso, vira labirinto cômico: corredores, elevadores, lobby. A arquitetura conduz o descontrole narrativo e não apenas ilustra a piada, mas a produz.

No fim, filmar em um cassino real (ou em um edifício real convertido em cassino ficcional) é sempre uma decisão de linguagem. A locação impõe uma dramaturgia: o cassino europeu tende ao cerimonial; o cassino de Vegas vende espetáculo; o cassino de Scorsese revela máquina. Para o cinema, o cassino é menos sobre jogar: e mais sobre ver e ser visto, apostar e ser apostado.

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