Longa baiano “Timidez” é selecionado para Pan-African Film & Arts Festival
Foto © Adeloyá Ojú Bará
Após conquistar seis prêmios (incluindo Melhor Filme) e uma menção honrosa no Festival de Cinema de Triunfo (Pernambuco), o longa-metragem baiano “Timidez” foi selecionado para dois dos mais importantes espaços do cinema negro contemporâneo da atualidade: o Pan-African Film & Arts Festival (PAFF), em Los Angeles, maior festival do gênero nos Estados Unidos e da Diáspora, e para o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul – Brasil, África e Caribe, maior e mais longeva mostra dedicada ao cinema negro no Brasil.
Em sua 34ª edição, o PAFF consolida-se como um farol internacional para a diáspora africana e como a principal iniciativa do Mês da História Negra nos Estados Unidos. Fundado em 1992 por Danny Glover, Ja’Net DuBois e Ayuko Babu, o festival é qualificatório para o Oscar nas categorias de Melhor Curta de Ficção, Documentário e Animação, e exibe mais de 200 filmes por edição, provenientes de mais de 40 países e seis continentes. Somente dois longas de ficção brasileiros estão entre os selecionados: “Narciso”, do diretor Jeferson De, e “Timidez”, de Thiago Gomes Rosa e Susan Kalik. O PAFF acontece em Los Angeles (EUA), de 16 a 22 de fevereiro.
Já o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, criado em 2007, valoriza a cultura de matriz africana no Brasil por meio de exibições de filmes e do intercâmbio entre cineastas nacionais e internacionais. Pioneiro ao afirmar a existência de um cinema comprometido com a identidade e a cultura negra, o evento também se destaca por ampliar e transformar a presença negra em todos os setores do cinema brasileiro, legado defendido por Zózimo Bulbul.
“Timidez” aposta em uma narrativa intimista, mergulhando no psicológico dos personagens e nas marcas silenciosas do racismo e da solidão. Foi totalmente filmado em Salvador e reúne um elenco inteiramente negro e baiano, protagonizado pelos atores Dan Ferreira e Antônio Marcelo, que recebeu o prêmio de melhor ator no Festival de Triunfo. Conta ainda com as atrizes Jane Santa Cruz e Evana Jeyssan. O roteiro, premiado como Melhor Roteiro no Festival de Triunfo, é de Susan Kalik, Cláudia Barral e Marcos Barbosa, parte da adaptação do texto teatral “O Cego e o Louco”, de Cláudia Barral, importante espetáculo baiano remontado no Brasil há 25 anos.
O filme conta a história de Jonas, um jovem negro que vive com o irmão Nestor, um homem cego. A relação entre os dois oscila entre afeto e opressão, enquanto memórias e experiências acumuladas ao longo da vida moldam o comportamento do protagonista, marcado por isolamento e dificuldade de se relacionar.
