Documentário “Missão Pankararu”, de Camilla Shinoda e Tiago de Aragão, encerra as filmagens

Foto © Ana Paula Rabelo

As filmagens do documentário “Missão Pankararu”, dirigido por Camilla Shinoda e Tiago de Aragão e produzido por Ana Rabêlo Rodrigues, foram concluídas após três etapas de gravação realizadas no território indígena Pankararu, no sertão de Pernambuco, e em Brasília. Em fase de finalização, o longa foi exibido, no último dia 10 de março, na comunidade Missão Pankararu, reunindo moradores do território retratado no filme.

Filmado integralmente na janela 4:3, o documentário tem como proposta estético-política a construção de retratos do povo indígena Pankararu e de sua luta por direitos, pelo território e pela manutenção de seu modo de vida. O longa, que tem produção da Sal e será distribuído nos cinemas brasileiros pela Cajuína Audiovisual, acompanha o dia a dia, a cosmologia e as estratégias políticas do povo Pankararu, articulando registros realizados em diferentes contextos: no território indígena, em encontros políticos nacionais e durante o período eleitoral municipal.

Além disso, as paisagens do território também agregam os elementos naturais das terras indígenas Pankararu, tomando emprestadas as palavras de Elisa Pankararu, uma das personagens, liderança feminina e intelectual dos povos indígenas do Nordeste, que explica que a vegetação e a fauna da Caatinga também compõem a visão de mundo desse povo.

Durante as filmagens, os realizadores privilegiaram cenas baseadas na ação e na vida cotidiana, em vez de entrevistas tradicionais. A abordagem parte de uma matriz documental, mas se abre para momentos de fabulação e construção conjunta com os personagens indígenas. Entre as situações registradas estão encontros políticos, conversas informais, pescarias, momentos de produção de cerâmica tradicional e encontros comunitários.

Na construção narrativa, “Missão Pankararu” propõe um mosaico de situações e experiências que revelam diferentes significados da política para esse povo. Neste sentido, a paisagem do território Pankararu é um elemento central do filme: o semiárido nordestino, com suas árvores, serras, solos e a presença do Rio São Francisco, compõe a atmosfera estética do documentário e dialoga diretamente com o universo simbólico do povo retratado.

A camada sonora também ocupa papel fundamental na narrativa, sendo construída a partir do complexo universo acústico Pankararu, que envolve cantos, rezas, sons da natureza e o ritmo dos torés.

A primeira etapa de filmagens ocorreu entre janeiro e fevereiro de 2024, com cerca de 30 dias de gravação nas terras indígenas Pankararu, no sertão de Pernambuco. Nesse período, a equipe realizou uma imersão no território, registrando práticas culturais, rituais, paisagens e momentos do cotidiano da comunidade, além de integrar profissionais Pankararu à equipe do filme.

A segunda fase aconteceu em Brasília, quando foi registrado o encontro anual de planejamento da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), na qual os Pankararu assumem cargos de liderança: Sarapó Pankararu atua como coordenador executivo, Elisa Pankararu, como coordenadora do departamento das mulheres, Xandão Pankararu, como coordenador de comunicação, e João Victor e Luana Pankararu, como assessores. Além disso, foi registrada a participação do povo Pankararu no Acampamento Terra Livre, maior mobilização indígena do país.

Já a terceira fase das filmagens acompanha a equipe retornando aos territórios Pankararu para acompanhar a articulação política indígena durante as eleições municipais. Nesse período, o documentário concentrou-se principalmente em dois personagens: Celo Pankararu, irmão de Sarapó e candidato ao cargo de vereador na cidade de Tacaratu, e o cacique Marcelo Pankararu, que apoiou candidaturas locais como parte de uma estratégia política voltada à construção de sua própria candidatura a deputado estadual em 2026.

“Missão Pankararu” foi realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF).

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