“O Agente Secreto” recebe oito indicações aos Prêmios Platino e chegará à Riviera Maya como franco favorito

Foto: “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho © Victor Jucá

Por Maria do Rosário Caetano

“O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, prossegue em sua exitosa carreira ganhando, agora, destaque nos Prêmios Platino, atribuídos às melhores produções da Península Ibérica e América Latina.

Na festa de anúncio dos finalistas, que aconteceu em Miami, nos EUA, o presidente do Prêmio ibero-americano (e do Atlético de Madri) Enrique Cerezo Torres, por somar paixões pelo cinema e pelo futebol, fez questão de contar com a presença de um ex-Menino da Vila, Diego, no palco.

O jogador de 41 anos, nascido Diego Ribas da Cunha e notável no Santos Futebol Clube (equipe na qual fez dupla com Robinho) foi entrevistado pela apresentadora da festa latina. Expressou-se em fluente espanhol e destacou “a importância do Platino para o cinema que fala castelhano e português”.

“O Agente Secreto” recebeu oito indicações. Vai disputar a principal categoria (melhor filme) com os espanhois “Sirât”, de Oliver Laxe, e “Los Domingos”, de Alauda Ruiz de Azúa, o argentino “Belén”, de Dolores Fonzi, e o venezuelano (rodado no México) “Ainda é Noite em Caracas”, de Mariana Rondón.

As qualidades de “O Agente Secreto” foram reconhecidas, também, nas categorias melhor direção, melhor ator protagonista (Wagner Moura), roteiro (Kleber Mendonça), montagem (Eduardo Serrano e Matheus Farias), música original (Tomaz Souza e Mateus Alves), direção de arte (Thales Junqueira) e figurino (Rita Azevedo). O Platino ainda não adotou a categoria “casting” (escolha de elenco).

O Brasil, que ano passado triunfou, pela primeira vez (com “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles), na Noite dos Platino, tem grandes chances de chegar ao bicampeonato. Mesmo assim, seguirá atrás de Argentina e Espanha (com três láureas cada um). E empatará com Chile e Colômbia (dois cada), ultrapassando o México (uma só vez, com o magistral “Roma”, de Alfonso Cuáron).

O momento especial vivido pelo cinema brasileiro se fez notar em outras categorias do Platino. Em especial com “Manas”, de Marianna Brennand, que disputa três categorias: ópera prima (filme de diretor estreante), atriz coadjuvante (Dira Paes) e Prêmio Educação em Valores (filmes de temáticas relevantes, láurea já conquistada, anos atrás, por “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert).

“Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa, finalista ao Bafta inglês, é um dos que disputarão a categoria melhor longa documental. Mas a cineasta brasileira terá pela frente um peso-pesado – “Tardes de Soledad”, de Alberto Serra, vencedor do Goya espanhol. Os outros concorrentes são o espanhol “Flores para Antonio”, tocante retrato da Família Flores, clã artístico que há decadas encanta a Espanha, e o paraguaio “Bajo las Banderas, El Sol”.

Rodrigo Santoro concorre a melhor ator coadjuvante por seu trabalho em “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro. “O Filho de Mil Homens”, de Daniel Rezende, recriação de livro homônimo de Valter Hugo Mãe, concorre na categoria maquiagem e cabelos.

No terreno das séries longas e minisséries de TV (segmento em que a argentina “O Eternauta” e seu protagonista, Ricardo Darín, reinam soberanos), o Brasil destaca-se na categoria série longa, com “Beleza Fatal”. Vai enfrentar “La Promesa”, “Sonhos Libertários” e “Velvet”.

A minissérie “Angela Diniz: Assassinada e Condenada”, da Conspiração Filmes, emplacou vaga na categoria melhor música original.

O Brasil não emplacou vaga na categoria melhor longa de animação. O ano é da Espanha, com o arrebatador “Decorado” (Cenário), de Alberto Vásquez, e do México, com o fascinante “Sou Frankelda”. Completam a lista de concorrentes os longas “Kayara” (Peru) e “Olivia e las Nubes” (República Dominicana).

O Brasil ficou de fora, também, da categoria melhor comédia. Os votantes dos Prêmios Platino escolheram muito bem os finalistas. A começar pela desconcertante comédia colombiana “Um Poeta”, de Simón Mesa Soto. E prosseguindo com a elegantíssima e fascinante “La Cena”, da Espanha, a encantadora e minimalista “Un Cabo Suelto”, do uruguaio Daniel Hendler, e a divertidíssima “Homo Argentum”, da dupla Mariano Cohn e Gastón Duprat.

O ator Guillermo Francella, o multifacetado “homo argentum”, interpreta, como um verdadeiro camaleão, dezesseis papeis nessa sátira mordaz. E concorre a melhor ator. Mas terá que superar o formidável desempenho de Wagner Moura, vencedor no Festival de Cannes, no Globo de Ouro e finalista ao Oscar. Os outros concorrentes na categoria melhor protagonista masculino são Alberto San Juan, brilhante na comédia “La Cena”, e o colombiano Ubeimar Ríos Gómez, em desempenho que dialoga com o patético e nos desconcerta (ele e o inusitado filme).

Por causa do aumento de categorias nas competições de Cinema e de Séries-Minisséries de TV, o comando dos Prêmios Platino tomou sábia decisão: dividiu a festa dos vencedores em dois eventos.

O primeiro acontecerá no próximo dia 16 de abril, quando serão anunciados os prêmios cinematográficos para atriz e ator coadjuvante, Educação em Valores, música original, montagem, direção de arte, fotografia, som (nessa categoria, “las Chicas de Oliver Laxe” devem causar furor), vestuário, efeitos especiais, maquiagem & cabelos.

No campo da TV (séries e minisséries) serão entregues láureas nas mesmas categorias (menos Educação em Valores).

Todos os ganhadores receberão seus prêmios em cerimônia especial no Complexo Xcaret, na Riveira Maya, no México. Mesmo cenário da Grande Gala Ibero-Americana, que acontecerá em maio (dia nove). Aí sim, serão conhecidos os laureados com o Platino de melhor filme, direção, documentário, animação, opera-prima, atriz e ator protagonistas (de cinema e de TV, com Wagner Moura, “o agente secreto”, e Ricardo Darín, “o eternauta” como francos favoritos). E os melhores concorrentes aos principais prêmios televisivos.

A Grande Gala dos Platino acontecerá no Teatro do Xcaret, na ensolarada Riviera Maya, com transmissão ao vivo pelo Canal Brasil.

Confira os finalistas nas principais categorias:

MELHOR FILME

. “O Agente Secreto” (Brasil)
. “Sirât” (Espanha)
. “Belén” (Argentina)
. “Los Domingos” (Espanha)
. “Ainda é Noite em Caracas (Venezuela-México)

MELHOR DIRETOR

. Kleber Mendonça Filho (“O Agente Secreto”)
. Olivier Laxe (“Sirât”)
. Dolores Fonzi (“Belén”)
. Alauda Ruiz de Azúa (“Los Domingos”)

MELHOR ATOR

. Wagner Moura (O Agente Secreto)
. Alberto San Juan (La Cena)
. Ubeimar Ríos Gómez (Un Poeta)
. Guillermo Francella (Homo Aregentum)

MELHOR ATRIZ

. Blanca Soroa (Los Domingos)
. Patricia Lopez Arnaiz (Los Domingos)
. Dolores Fonzi (Belén)
. Natalia Reys (Ainda é Noite em Caracas)

MELHOR ROTEIRO

. Kleber Mendonça Filho (O Agente Secreto)
. Oliver Laxe e Santiago Fillol (“Sirât”)
. Simon Mesa Soto (Un Poeta)
. Alauda Ruiz de Azua (Los Domingos)

MELHOR DOCUMENTÁRIO

. “Apocalipse nos Trópicos” (Brasil)
. “Tardes de Solidão” (Espanha)
. “Flores para Antonio” (Espanha)
. “Bajo las Banderas, El Sol” (Paraguai)

MELHOR COMÉDIA

. “Um Poeta” (Colômbia)
. “La Cena” (Espanha)
. “Un Cabo Suelto” (Uruguai)
. “Homo Argentum” (Argentina)

OPERA-PRIMA (filme de estreante)

. “Manas”, de Marianna Brennand (Brasil)
. “O Misterioso Olhar do Flamingo” (Chile)
. “Surda” (Espanha)
. “Nos nos Moveran” (México)

EDUCAÇÃO EM VALORES

. “Manas”, de Marianna Brennand (Brasil)
. “Surda” (Espanha)
. “A Mujer de la Fila” (Argentina)
. “Belén” (Argentina)

ATRIZ COADJUVANTE

. Dira Paes (Manas)
. Nagore Arambu (Los Domingos)
. Julieta Cardinali (Belén)
. Camila Pláate (Belén)

ATOR COADJUVANTE

. Rodrigo Santoro (O Último Azul)
. Álvaro Cervantes (Surda)
. Juan Minujín (Los Domingos)
. Edgard Ramirez (Ainda é Noite em Caracas)

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