Produções brasileiras são selecionadas para a mostra Panorama, Generation e seção Forum do Festival de Berlim
Foto: “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”, de Janaína Marques
O Festival de Berlim 2026, que acontece de 12 a 22 de fevereiro, exibirá mais três produções brasileiras, além de “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, de André Novais Oliveira: “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”, “Feito Pipa”, “Isabel” e “Narciso”.
Primeiro longa da cineasta Janaína Marques, “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha” foi selecionado para a seção Forum do festival, que é historicamente associada à liberdade estética e à experimentação formal.
Produzido pelas cearenses Delírio Filmes e Moçambique Audiovisual, o longa se constrói como um road movie do inconsciente, uma travessia sensorial guiada pela imaginação como forma de cura. O filme se desenvolve como um retrato íntimo de uma mulher convocada a revisitar sua própria história quando já não consegue se reconhecer nela. Diante da dificuldade de acessar uma memória feliz, a protagonista Rosa (vivida por Verônica Cavalcanti) mergulha numa busca interior que se torna a própria narrativa do longa. Entre o real e o imaginado, a realidade começa a ceder espaço ao sonho, ao delírio e à memória, uma jornada íntima em que Rosa reencontra a mãe (interpretada por Luciana Souza) e a transforma em parceira de estrada.

O longa-metragem “Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton e estrelado por Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos, fará sua estreia mundial na mostra oficial competitiva Generation, dedicada a filmes com temáticas e protagonistas infantojuvenis.
Produzido pela Deberton Filmes e pela Biônica Filmes, em coprodução com a Warner Bros., e com distribuição no Brasil da Paris Filmes, o longa acompanha a história de Gugu, um menino de quase 12 anos que sonha em se tornar jogador de futebol e vive com a avó Dilma, uma professora aposentada que o cria de forma livre e afetuosa. Quando a avó fica frágil, Gugu tenta esconder essa situação a qualquer custo, com medo de ser separado dela e ser obrigado a morar com o pai, que não o aceita como ele é.
Com roteiro de André Araújo e rodado em Quixadá e cidades vizinhas do interior do Ceará, o filme se passa às margens da barragem de Araújo Lima, onde, após anos de seca, revela uma antiga cidade submersa em ruínas. A obra constrói uma narrativa sensível sobre amadurecimento, memória, afeto e amor.

Rodado em São Paulo e produzido pela RT Features, “Isabel”, novo filme do cineasta Gabe Klinger, fará sua estreia mundial na seção Panorama do festival. Terceiro longa-metragem do diretor, a produção traz Marina Person como a personagem-título, uma sommelière no cenário de alta gastronomia de São Paulo que sonha em escapar do seu chefe controlador e montar seu próprio bar de vinhos. O roteiro, parceria entre Klinger e Person, mistura experiências pessoais da própria atriz com histórias de mulheres reais dentro da cultura de vinhos artesanais brasileiros.
Klinger estreou no cinema com o documentário “Double Play” (2013), sobre a amizade entre os cineastas Richard Linklater e James Benning, que ganhou o prêmio de Melhor Documentário sobre Cinema no Festival de Veneza. “Porto” (2016), seu primeiro longa de ficção, foi produzido por Jim Jarmusch e circulou em grandes festivais internacionais.
“Isabel” é o primeiro trabalho de Klinger feito no Brasil. Rodado em 16 milímetros, Klinger optou pelo formato analógico “não filtrado” para poder criar uma analogia visual com os produtos “naturais” que a própria personagem defende no filme.
Filmando exclusivamente em locações reais, Klinger se inspirou em obras como “São Paulo Sociedade Anônima”, de Luiz Sérgio Person, que retratam a cidade de forma realista e espontânea.
Coestrelado por Caio Horowicz, John Ortiz, Marat Descartes e Clarisse Abujamra, “Isabel” tem produção de Rodrigo Teixeira, um dos responsáveis pelo sucesso de “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de Filme Internacional no ano passado.
“Narciso”, coprodução brasileira dirigida pelo paraguaio Marcelo Martinessi e produzida pela cineasta Julia Murat, fará parte da Mostra Panorama, uma das principais vitrines do evento. Adaptado do livro homônimo de Guido Rodríguez Alcalá, o longa é uma coprodução entre Brasil, Paraguai, Uruguai, Alemanha, Portugal, Espanha e França e fará sua estreia mundial no festival. No Brasil, tem lançamento comercial previsto para o segundo semestre, com distribuição da Imovision.
Ambientado no Paraguai de 1958, a história acompanha Narciso, um jovem carismático que retorna de Buenos Aires com o rock ’n’ roll nas veias e, sob um regime militar sufocante, se transforma em uma sensação musical e símbolo de liberdade. Mas, após seu show final, ele é encontrado morto. No elenco estão Diro Romero, Manuel Cuenca, Mona Martinez e Nahuel Perez Biscayart, ator argentino que ficou conhecido por sua atuação em “120 Batimentos por Minuto” (2017).
Em 2018, o diretor Marcelo Martinessi foi um dos grandes destaques do Festival de Berlim com “As Herdeiras”, vencedor de cinco prêmios, incluindo o Urso de Prata de Melhor Atriz para Ana Brun e o Prêmio Fipresci (Federação Internacional de Críticos). O filme também foi o escolhido para representar o Paraguai no Oscar e, no Brasil, foi um dos grandes vencedores do Festival de Gramado com seis Kikitos.

