Prêmio Goya, o Oscar espanhol, destaca “Sirât”, “Los Domingos”, “Tardes de Soledad” e o drama brasileiro “Manas”

Foto: “Sirât”, de Oliver Laxe

Por Maria do Rosário Caetano

A quadragésima edição dos Prêmios Goya, o Oscar espanhol, cuja cerimônia de premiação acontecerá em Barcelona, dia 28 de fevereiro, dessa vez deve chamar atenção dos brasileiros. Afinal, entre os finalistas na categoria melhor filme ibero-americano está o drama “Manas”, da pernambucana Marianna Brennand.

No terreno da língua castelhana, o duelo pelo troféu “cabeçudo” (imensa busto do pintor Francisco de Goya) se dará entre “Sirât”, de Oliver Laxe, premiado na mesma edição de Cannes que laureou “O Agente Secreto”, e “Los Domingos”, de Alauda Ruiz de Azúa, vencedor da Concha de Ouro no Festival de San Sebastián, o maior da Espanha.

Marianna Brennand é conterrânea de Kleber Mendonça Filho. O cinema pernambucano, registre-se, teve em 2025 um ano de ouro. Aos longas “Manas” e “O Agente Secreto” somou-se “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, Urso de Prata em Berlim.

A jovem cineasta chegou ao Goya beneficiada pelo espírito democrático (ou distributivista) da Academia Brasileira de Cinema, que indicou “O Agente Secreto” ao Oscar, “Manas” ao prêmio espanhol, “Oeste Outra Vez” e “Kasa Branca” ao Forqué, também atribuído pela Espanha. Registre-se que, em 2024, os acadêmicos brasileiros concentraram suas indicações em “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, que triunfaria tanto em Hollywood quanto no Goya.

“Manas” vai enfrentar concorrência pesada para conquistar o “cabeçudo”. A começar pelo argentino “Belén: uma História de Injustiça”, de Dolores Fonzi, e pelo colombiano “Un Poeta”, de Simón Mesa Soto. O primeiro vem se destacando em eventos de língua espanhola e tem como diretora e coprotagonista a atriz Dolores Fonzi, um dos nomes mais festejados do cinema ibero-americano. Já o “Poeta” foi o grande vencedor do Festival de Havana. O evento cubano atribuiu meia dúzia de troféus Coral a “O Agente Secreto”, inclusive melhor direção, mas preferiu eleger o colombiano, uma produção pequena e singular.

“Manas”, de Marianna Brennand

“O Olhar Misterioso do Flamingo”, de Diego Céspedes, sobre coletivo homoafetivo que movimenta cabaré em zona mineira do deserto chileno, vem causando furor pela originalidade de sua trama e pelas cores ainda mais vibrantes e fortes que as de Pedro Almodóvar. “La Piel del Água”, de Patricia Velásquez, mostra que a Costa Rica, pequeno país centro-americano, vem ganhando espaço audiovisual. Deixou fora da lista do Goya produções de duas cinematografias de peso do subcontinente, a do México e a do Peru.

A razão de ser dos Prêmios Goya, claro, é o cinema espanhol. Os dois recordistas de indicações armazenam boa dianteira. “Los Domingos” saiu na frente com vaga em treze categorias, “Sirât”, com onze. Seguidos por “Maspalomas”, com nove, e “La Cena”, com oito. Empatados com sete cada, estão “El Cautivo”, de Alejandro Amenábar, “Los Tigres”, de Alberto Rodríguez, Romería, da ótima diretora Carla Simón (do fascinante “Alcarràs”), e “Sorda”, com protagonista surda (pela primeira uma atriz com deficiência auditiva disputa o troféu de intérprete protagonista).

Mesmo com duas indicações a menos, “Sirât” chega ao Goya – que regressa a Barcelona depois de muitos anos – (ainda) como favorito. Afinal, a exposição internacional do filme é imensa. E ele só não empatou ou ultrapassou “Los Domingos”, por motivo explícito: seu elenco – profissional e não-profissional – foi totalmente ignorado pelos acadêmicos. Não cravou uma vaga que fosse para ator-atriz, seja protagonista ou coadjuvante.

Algo se passa em solo espanhol (e na guilda dos atores), pois nem o catalão Sergí Lopez, o protagonista de “Sirât”, talentosíssimo e conhecido internacionalmente, foi indicado. E os atores não-profissionais mobilizados por Laxe também foram solenemente ignorados. A dianteira de “Los Domingos” se deu com relativa folga, pois cravou quatro vagas no segmento. Há quem veja a grave (e incompreensível) exclusão de Sergí Lopes como sintoma de que a maré está levando o conjunto dos acadêmicos espanhóis em direção a “Los Domingos”.

Em declaração ao El País, de Madri, Alauda Ruiz se definiu como “uma diretora de atores”, para acrescentar que o reconhecimento a seus intérpretes, detentores das quatro indicações possíveis, a deixava “cheia de ilusões”.

Em 2025, dois filmes espanhóis alcançaram imensa repercussão internacional: “Sirât”, claro, mesmo que tenha dividido a crítica, e o documentário “Tardes de Soledad” (“Tardes de Solidão”), de Albert Serra, que ganhou capa da revista Cahiers du Cinéma, acompanhada de 10 páginas internas e consagradoras.

Embora o filme de Serra só tenha conquistado duas indicações (melhor documentário e melhor direção), vale lembrar que o cinema não-ficcional continua, em todos os prêmios internacionais, como o primo pobre. Todas atenções se voltam aos filmes estrelados por atores. De preferência, famosos. Mas, pela primeira vez em 40 anos de história, o Goya coloca o realizador de longa documental na prestigiada categoria de melhor diretor.

“Tardes de Soledad” poderia ter recebido indicações de melhor fotografia e montagem, por exemplo. Mas sua temática – a vida de um toureiro, que enfrenta e sangra touros e, às vezes, leva chifradas perigosíssimas – não combina com o estado de espírito de nosso tempo. As qualidades estéticas do filme acabam soterradas pela ojeriza (de muitos) a seu tema politicamente incorreto. O documentário causou muita polêmica inclusive na “pátria das touradas”. E em toda Europa. No Brasil, ele nem chegará aos cinemas. Teve pré-estreia nobre no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba e, depois, deve ir direto para o streaming (Mubi).

“Sirât” – assim como “Tardes de Soledad” – também gerou interpretações controversas. Foi acusado de construir-se como mais uma história de pai de origem européia (o personagem de Sergí Lopez) em busca desesperada pela filha. A jovem faz sua peregrinação por raves espalhadas pela África árabe. E, mais: povos do deserto africano seriam vistos, por Laxe, como exóticos. Portanto, “Sirât” seria mais um filme colonialista.

Essa análise é possível, mas não podemos deixar de lembrar que não há heróis no filme. Europeus e norte-africanos são mostrados como seres dilacerados, submetidos à loucura do mundo contemporâneo, almas feridas. Goste-se ou não do filme, impossível negar suas qualidades artísticas e técnicas. Um dos trabalhos de som mais arrebatadores da história do cinema de nosso tempo. A pré-seleção ao Oscar o reconheceu em cinco categorias (contra quatro de  “Valor Sentimental”, duas para “O Agente Secreto” e uma para “Foi Apenas um Acidente”). Aguardemos, pois, os vereditos da Academia Espanhola de Cinema, em Barcelona, dia 28 de fevereiro.

E prestemos atenção no desempenho de “El Cautivo”, de diretor bem conhecido dos cinéfilos brasileiros, o chileno-espanhol Alejandro Amenábar. Seu novo filme tem chances de chegar ao nosso circuito de arte. Afinal, dedica-se a tema que a muitos há de interessar: o escritor Miguel de Cervantes, autor de “Don Quixote de la Mancha”. O gênio da literatura espanhola (e universal) é visto em seu tempo de cativo (prisioneiro) na Argélia africana. Por tratar-se de drama histórico, o filme recebeu sete indicações, muitas delas em quesitos como direção de arte, figurinos, maquiagem e cabelos.

E, por fim, vale observar que outra categoria dedicada pelo Goya à produção internacional – melhor filme europeu – conta com três filmes da safra mais recente e dois que, para brasileiros, parecem antigos, distantes. Ou seja, figuraram em listas ou pré-listas de prêmios da edição do Oscar 2025. Caso de “Conclave”, de Edward Berger (produção do Reino Unido), e “A Garota da Agulha”, de Magnus von Horn (da Dinamarca).

Completam a safra europeia três produções da hora: o iraniano (sob bandeira francesa) “Foi Apenas um Acidente”, de Jafar Panahi; “Valor Sentimental”, do norueguês Joachim Trier, e “On Falling”, da lusitana Laura Carreira, radicada na Europa britânica e formada pela Universidade de Edimburgo.

Os dois primeiros premiados foram em Cannes e seguem em cartaz no Brasil, com bilheterias significativas (85 mil para o norueguês e 55 mil para o iraniano). Já o português “On Falling” segue inédito em nosso circuito exibidor. Rodado na Escócia, o filme mostra uma trabalhadora, a imigrante Aurora, que deixa família e amigos em Portugal, na esperança de viver dias melhores no Reino Unido. Acabará confinada entre o local de trabalho e o apartamento que divide com colegas. A diretora estreante, nascida no Porto, em 1994, vem chamando atenção por mostrar, com sensibilidade, “uma imigrante submetida às condições desumanas da exploração capitalista”.

Confira os finalistas:

MELHOR FILME ESPANHOL

“Los Domingos”, de Alauda Ruiz de Azúa (13 indicações)
“Sirât”, de Oliver Laxe (11 indicações)
“Maspalomas”, de José Mari Goenaga e Aitor Arregi (9 indicações)
“La Cena”, de Manuel Gomez Pereira (8 indicações)
“Sorda”, de Eva Libertad (7 indicações)

FILME IBERO-AMERICANO

“Manas”, de Marianna Brennand (Brasil)
“Belén: Uma História de Injustiça”, de Dolores Fonzi (Argentina)
“O Olhar Misterioso do Flamingo, de Diego Céspedes (Chile)
“Un Poeta”, de Simón Mesa Soto (Colômbia)
“La Piel del Água”, de Patricia Velásquez (Costa Rica)

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Tardes de Soledad, de Albert Serra
The Sleeper. El Caravaggio Perdido, de Álvaro Longoria
Todos Somos Gaza, de Hernán Zin
Eloy de la Iglesia, Adicto al Cine, de Gaizka Urresti
Flores para Antonio, de Isaki Lacuesta e Elena Molina

MELHOR DIREÇÃO

Oliver Laxe (Sirât)
Albert Serra (Tardes de Soledad)
Alauda Ruiz de Azúa (Los Domingos)
Carla Simón (Romería)
Aitor Arregi e Jose Mari Goenaga (Maspalomas)

MELHOR FILME EUROPEU

“Foi Apenas um Acidente”, de Jafar Panahi (França-Irã)
On Falling, de Laura Carreira (Portugal-Irlanda)
Valor Sentimental, de Joachim Trier (Noruega)
A Garota da Agulha, de Magnus von Horn (Dinamarca)
Conclave, de Edward Berger (Reino Unido)

MELHOR ANIMAÇÃO

“Bella”, de Manuel H. Martín e Amparo Martínez
“Decorado”, de Alberto Vázquez
“El Tesoro de Barracuda”, de Adrià García
“L’Olívia i el Terratrèmol Invisible”, de Irene Iborra
“Norbert”, de José Corral Llorente

MELHOR DIRECAO DE ESTREANTE

Eva Libertad, por “Sorda”
Gemma Blasco, por “La Furia”
Gerard Oms, por “Muy Lejos”
Ion de Sosa, por “Balearic”
Jaume Claret Muxart, por “Estrany Riu” 

MELHOR ATOR

Alberto San Juan, por “La Cena”
Jose Ramon Soroiz, por “Maspalomas”
Manolo Solo, por “Una Quinta Portuguesa”
Mario Casas, por “Muy Lejos”
Miguel Garcés, por “Los Domingos”

MELHOR ATRIZ

Ángela Cervantes, por “La Furia”
Antonia Zegers, por “Los Tortuga”
Nora Navas, por “Mi Amiga Eva”
Patricia Lopez Arnaiz, por “Los Domingos”
Susana Abaitua, por “Um Fantasma na Batalha”

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Álvaro Cervantes, por “Sorda”Juan Minujín, por “Los Domingos”
Kandido Uranga, por “Maspalomas”
Miguel Rellán, por “El Cautivo”
Tamar Novas, por “Rondallas”

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Maria de Medeiros, por “Una Quinta Portuguesa”Elena Irureta, por “Sorda”
Elvira Mínguez, por “La Cena”
Miryam Gallego, por “Romería”
Nagore Aranburu, por “Los Domingos”

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

“Los Domingos”, escrito por Alauda Ruiz de Azúa
“Maspalomas”, escrito por Jose Mari Goenaga
“Sirât”, escrito por Oliver Laxe e Santiago Fillol
“Um Fantasma na Batalha”, escrito por Agustín Díaz Yanes
“Una Quinta Portuguesa”, escrito por Avelina Prat

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

“Ciudad Sin Sueño”, escrito por Guillermo Galoe e Víctor Alonso-Berbel
“La Buena Letra”, escrito por Celia Rico Clavellino
“La Cena”, escrito por Joaquín Oristrell, Manuel Gómez Pereira e Yolanda García Serrano
“Romería”, escrito por Carla Simón
“Sorda’, escrito por Eva Libertad

ATOR REVELAÇÃO

Antonio “Toni” Fernández Gabarre, por “Ciudad sin Sueño”
Hugo Welzel, por “Enemigos”
Jan Monter Palau, por “Estrany Riu”
Julio Peña, por “El Cautivo”
Mitch, por “Romería”

ATRIZ REVELAÇÃO

Blanca Soroa, por “Los Domingos”
Elvira Lara, por “Los Tortuga”
Llúcia Garcia, por “Romería”
Miriam Garlo, por “Sorda”
Nora Hernández, por “La Cena”

MELHOR DIREÇÃO DE PRODUÇÃO

“Ciudad sin Sueño”, por Antonello Novellino
“El Cautivo”, por Sergio Díaz Bermejo
“Los Domingos”, por Itziar García Zubiri
“Los Tigres”, por Begoña Muñoz Corcuera
“Sirât”, por Oriol Maymó

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA

“Ciudad sin Sueño”, por Rui Poças
“Los Domingos”, por Bet Rourich
“Los Tigres”, por Pau Esteve Birba
“Maspalomas”, por Javier Agirre Erauso
“Sirât”, por Mauro Herce

MELHOR MONTAGEM

“Ciudad sin Sueño”, por Victoria Lammers
“Los Domingos”, por Andrés Gil
“Los Tigres”, por José M. G. Moyano
“Sirât”, por Cristóbal Fernández
“Um Fantasma na Batalha”, por Bernat Vilaplana

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

“El Cautivo”, por Juan Pedro de Gaspar
“La Cena”, por Koldo Vallés
“Los Tigres”, por Pepe Domínguez del Olmo
“Maspalomas”, por Mikel Serrano
“Sirât”, por Laia Ateca Font

MELHOR FIGURINO

“El Cautivo”, por Nicoletta Taranta
“Gaua”, por Nerea Torrijos
“La Cena”, por Helena Sanchis
“Los Domingos”, por Ana Martínez Fesser
“Romería”, por Anna Aguilà

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADO

“El Cautivo”, por Ana López-Puigcerver, Belén López-Puigcerver e Nacho Díaz
“Gaua”, por Patricia López, Paco Rodríguez H. e Nacho Díaz
“La Tregua”, por Sarai Rodríguez, David Moreno e Óscar del Monte
“Maspalomas”, por Karmele Soler e Sergio Pérez Berbel
“Sirât”, por Zaira Eva Adén

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

“El Talento”, por Carla F. Benedicto
“Leo & Lou”, por Iván Palomares de la Encina
“Los Tigres”, por Julio de la Rosa
“Maspalomas”, por Aránzazu Calleja
“Sirât”, por Kangding Ray

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

“Caminar el Tiempo”, por Blanca Paloma Ramos, Jose Pablo Polo e Luis Ivars (“Parecido a un Asesinato”)
“Flores para Antonio”, por Alba Flores e Sílvia Pérez Cruz (“Flores para Antonio”)
“Hasta que me Quede sin Voz”, por Leiva (“Hasta que me quede sin Voz”)
“La Arepera”, por Paloma Peñarrubia Ruiz (“Caiam as Rosas Brancas!”)
“Y Mientras Tanto, Canto”, por Víctor Manuel (“La Cena”)

MELHOR SOM

“El Cautivo”, por Aitor Berenguer, Gabriel Gutiérrez e Candela Palencia
“Los Domingos”, por Andrea Sáenz Pereiro e Mayte Cabrera
“Los Tigres”, por Daniel de Zayas, Gabriel Gutiérrez e Candela Palencia
“Sirât”, por Amanda Villavieja, Laia Casanovas e Yasmina Praderas
“Sorda”, por Urko Garai, Enrique G. Bermejo e Alejandro Castillo

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS

“Enemigos”, por César Moreno
“Gaua”, por Jon Serrano, Mariano García Marty, David Heras e Iñaki Gil “Ketxu”
“Los Tigres”, por Paula Gallifa Rubia e Ana Rubio
“Sirât”, por Pep Claret e Benjamín Ageorges
“Um Fantasma na Batalha”, por Jon Serrano, Mariano García Marty e Laura Pedro

MELHOR CURTA (ficção)

“Ángulo Muerto”, de Cristian Beteta
“De Sucre”, de Clàudia Cedó
“El Cuento de una Noche de Verano”, de María Herrera
“Sexo a los 70”, de Vanesa Romero
“Una Cabeza en la Pared”, de Manuel Manrique

MELHOR CURTA (documentário)

“Disonancia”, de Raquel Larrosa
“El Santo”, de Carlo D’Ursi
“La Conversación que Nunca Tuvimos”, de Cristina Urgel
“The Painter’s Room”, de María Colomer Canyelles
“Zona Wao”, de Nagore Eceiza Mugica

MELHOR CURTA (animação)

“Buffet Paraíso”, de Héctor Zafra e Santi Amézqueta
“Carmela”, de Vicente Mallols
“El Corto de Rubén”, de Jose María Fernández de Vega
“El Estado del Alma”, de Sara Naves
“Gilbert”, de Alex Salu, Arturo Lacal e Jordi Jimé

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