Programação do primeiro dia do Rio2C reúne summits que antecipam o futuro da indústria criativa
O primeiro dia do Rio2C, na terça-feira, 26 de maio, foi integralmente dedicado aos summits, encontros que tem por objetivo traçar um mapa das transformações da economia criativa contemporânea. Mais do que trilhas paralelas de conteúdo, os summits do evento funcionam como pontos de convergência de setores da cultura, comportamento, tecnologia e negócios. A programação reúne, em um mesmo ecossistema, lideranças dos universos de mídia, games, creator economy, moda, audiovisual, branding e formulação pública para a cultura iberoamericana, oferecendo uma plataforma robusta para o intercâmbio de ideias e inovações. Apresentado pela Petrobras e Governo do Brasil, a oitava edição do Rio2C acontece na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, até 31 de maio, com a participação de 1.732 palestrantes, de mais de 30 países, em 23 palcos e espaços de conteúdo.
O palco MinC Conecta abriu a programação do dia com o painel Economia Criativa na Ibero-América: Integração e Desenvolvimento na Região. A mesa propôs uma leitura panorâmica do setor como campo estratégico para o desenvolvimento sustentável e a projeção internacional da diversidade cultural, inaugurando uma edição em que o Rio2C sedia, pela primeira vez, em parceria com o MinC e OEI, o Foro Ibero-Americano de Vice-Ministros e Altas Autoridades de Cultura. Mediado por discussões sobre as assimetrias estruturais e as acelerações tecnológicas do mercado, o painel reuniu Márcio Tavares (secretário-executivo do Ministério da Cultura do Brasil), Maru Vidal (diretora nacional de cultura do Uruguai), Raphael Callou (diretor-geral de cultura da OEI) e Enrique Vargas (diretor da Segib).
Entre as ativações previstas estão Você em Cartaz, experiência de inteligência artificial que transforma a foto dos participantes em cartazes de filmes; Correndo atrás da profissionalização, que gamifica jornadas de formação no setor; e o Sintetizador Cultural, conectado ao Fórum Ibero-Americano, que explora as sonoridades de cada cultura. A participação institucional do MinC ganha ainda mais relevância com a realização do Foro Ibero-Americano de Vice-Ministros e Altas Autoridades de Cultura durante o evento, reforçando o Rio2C como plataforma de articulação internacional da economia criativa.
O palco incluiu ainda os painéis Impulsionar a economia criativa: políticas públicas para o desenvolvimento regional, com Márcio Tavares, Maria Carina Moreno Baca, Romina Alejandra Muñoz Procel e Mariana Soares; Film Commissions e coproduções na Ibero-América: marcos, incentivos e oportunidades, com Joelma Gonzaga, Arianne Marie Benedetti e Camila Gallardo Valenzuela, com mediação de Christiano Braga; e Conectando criatividade: mercados e plataformas que impulsionam a Ibero-América, com Claudia Leitão, Humberto López la Bella, Raúl Neftalí Castillo Rosales e Augusto Jorge de Albuquerque Veiga.
A abertura do Summit Acontece Globo ganhou destaque com William Bonner, ex-apresentador do Jornal Nacional, em discurso que aflorou a busca pela brasilidade da emissora, potencializada pelo conceito “É Muito Brasil pra Contar”. Manuel Belmar, diretor geral de finanças, jurídico e infraestrutura e diretor geral de produtos digitais, seguiu apresentando os avanços da emissora e o impacto social da Rede Globo na cultura brasileira. No painel, a empresa apresentou uma pesquisa junto à Quaest que buscava entender padrões da sociedade brasileira, com recortes específicos para cada região do país.
Em seguida, o avanço e a consolidação do formato de não-ficção na preferência do público brasileiro ditaram o tom do painel Documentário Além da Tela, mediado pelo apresentador Pedro Bial, com a participação de Camila Appel, Paulo Renato Soares e Patricia Koslinski. O debate jogou luz sobre como o gênero deixou de ser um produto de nicho para se transformar em um dos maiores motores de audiência, engajamento e repercussão cultural no país.
Para além do prestígio artístico, a mesa destrinchou a viabilidade comercial do formato, debatendo o retorno sobre o investimento (ROI) que o gênero atrai em tempos de alta competitividade pela atenção do espectador. Os participantes dividiram suas experiências na linha de frente da produção de não-ficção e analisaram o papel do documentarista na era da hiperinformação.
Histórias Locais, Alcance Nacional, reunindo Gabriel Jacome, Fernando Marahu, Fred Mayrink, Vitória Strada e mediação de Dira Paes; e Do micro ao macro: novas formas de contar, com Daniela Busoli, Daphne Bozaski, Caito Mainier, Alex Medeiros, Samantha Almeida e Rodolfo Bastos, foram outros destaques do dia, além de Traduzir para a tela: os desafios da adaptação audiovisual, com Alice Braga, Carol Jabor, Rita Piffer, Cao Hamburger e Larissa Bocchino, mediado por Renata Boldrini. O primetime Globo: É Muito Brasil pra Contar reforçou a aposta da emissora na força da cultura brasileira como narrativa de escala nacional e global.
