Produção Cinema Slideshow — 30 maio 2018
Erasmo Carlos no cinema

O compositor e cantor Erasmo Carlos, tijucano de 76 anos, chega, com sua participação no filme “Paraíso Perdido”, de Monique Gardenberg, a seu sexto trabalho como “ator”.

Embora guarde com imenso carinho um troféu cinematográfico em sua estante (a Coruja de Ouro de “melhor coadjuvante” por seu trabalho na comédia “Os Machões”, de Reginaldo Faria, lançado em 1973), Erasmo faz questão de dizer que nunca se sentiu, pra valer, interpretando um personagem. Nunca se viu como “um ator”.

“Nem cantor”, diz o Tremendão, do alto de seus quase dois metros de altura, muita gentileza e modéstia, no dia da pré-estreia nacional de “Paraíso Perdido”. “Não sou cantor”, explica, pois “cantor é Roberto Carlos, é Maria Bethânia, é Ney Matogrosso”. Eles, sim, “cuidam da voz, mastigam pastilhas, se protegem com cachecol, fogem do ar condicionado. Eu não faço nada disto”.

E prossegue: “não tenho escolaridade, me formei lendo histórias em quadrinho e vendo seguidas sessões de cinema. Adoro filmes e foi com muita alegria que atuei em alguns longas-metragens, mas sabendo que não tenho preparo, não sou ator. Claro que quando me convocam, eu respeito o que me pedem para fazer. Se for comédia, penso num ator engraçado e tento dar o melhor de mim. Se for um drama, também busco instintivamente uma forma, um jeito de fazer algo sério”.

Quando Monique Gardenberg o convocou para interpretar José, o patriarca de família de músicos que vive de e para a boate Paraíso Perdido, ele percebeu que, mesmo que seu personagem fosse um cantor, “ele não era o Erasmo Carlos”, mas sim o Erasmo “José” da Monique, “um cara que usa uma peruca, dirige uma boate”.

A cineasta pediu ao Tremendão (ou “Gigante Gentil”, como o identificam muitos amigos) que assistisse ao filme “O Leopardo”, de Luchino Visconti (1963), e se inspirasse no Príncipe de Salinas, o nobre que enfrenta o envelhecimento com muito silêncio e que foi magistralmente interpretado por Burt Lancaster. Ele assistiu ao clássico viscontiano, com muita humildade. Sabia que estava diante de desafio muito grande. E mais: “Monique me avisou que menos é mais”. Às vezes, “eu fazia de um jeito e ela pedia, ‘menos, menos’. Eu obedecia, pois era o Erasmo dela que interessava. Eu buscava uma sensibilidade próxima ao que ela pedia. E o Julinho (Andrade) e o Lee (Taylor) também me deram dicas, me ajudaram muito”.

O compositor “que canta” está lançando um novo CD – “Amor É Isso” – cercado de novos amigos e parceiros (Emicida, Adriana Calcanhoto, Samuel Rosa, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Nando Reis, Marcelo Camelo) e com produção de Pupilo, do Nação Zumbi. E está satisfeito com o resultado de “Amor É Isso” e com o “Paraíso Perdido”. Ficou orgulhoso por integrar “elenco com tantos e tão talentosos atores”. Foi assistir à pré-estreia paulistana do filme com animação, alegria e entusiasmo.

A primeira aparição de Erasmo no cinema se deu em “Agnaldo Perigo à Vista”, em 1968, filme protagonizado pelo cantor Agnaldo Rayol, então no auge de sua beleza e fama. Entre este filme e “Paraíso Perdido”, passaram-se 50 anos e o roqueiro atuou em dois filmes da Trilogia Roberto Carlos, comandada por Roberto Farias (1932-2018): o segundo (“Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa”, 1970) e o terceiro (“Roberto Carlos a 300 Km por Hora”, 1972). Participou, também, de dois documentários: “Ritmo Alucinante” (Marcelo França, 1976) e “Jovem aos 50 – A História de Meio Século da Jovem Guarda”, de Sérgio Badassarini Jr. (2017). Mas seu último papel numa ficção cinematográfica acontecera há mais de 30 anos. Coube a Erasmo interpretar um cowboy na única incursão do cineasta (e montador) Eduardo Escorel no universo infantil “O Cavalinho Azul” (1984), baseado em peça de Maria Clara Machado.

A próxima “aparição” de Erasmo nas telas se dará de forma especial: ele será representado pelo ator Chay Suede no longa-metragem “Minha Fama de Mau”, dirigido por Lui Farias, um dos integrantes do poderoso Clã Farias (Roberto, Riva, Reginaldo, Lui, Mauro, Maurício, Márcia e Marcelo). O longa-metragem recria livro publicado em 2008 e recheado de lembranças do roqueiro. Tem estreia prevista para o final deste ano.

 

Por Maria do Rosário Caetano

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