Festival do Rio premia “Medusa”
“Medusa”, de Anita Rocha da Silveira

Por Maria do Rosário Caetano

O longa ficcional “Medusa”, de Anita Rocha da Silveira, foi o grande vencedor do Festival de Cinema do Rio de Janeiro, que entregou seus troféus Redentor aos premiados de sua vigésima-segunda edição na noite de domingo, 19 de dezembro. A cerimônia de premiação encerrou o tumultuado e congestionado calendário 2021 de festivais e mostras cinematográficas brasileiras, perturbado pela pandemia, pela crise econômica e pelas “novas diretrizes” culturais do governo Bolsonaro.

Em junho último, “Medusa”, segundo longa-metragem da diretora carioca – o primeiro foi o belo e atmosférico “Mate-me, por Favor” –representou o Brasil na Quinzena de Realizadores, em Cannes. Protagonizado por Mari Oliveira, “Medusa” sequencia o diálogo de Anita com o cinema de horror e conta a história de Mariana, jovem casta, pura e “do lar”, que une-se a colegas de cultos na igreja neopentecostal para vigiar e punir mulheres de comportamentos desviantes. O filme rendeu, ainda, o Redentor de melhor direção a Anita (ex-aqueo com Laís Bodansky, por “A Viagem de Pedro”) e o prêmio de coadjuvante a Lara Tremouroux.

A estreia de Lázaro Ramos na ficção – com a distopia racial “Medida Provisória”, baseada na peça “Namíbia, Não!”, de Aldri Anunciação – rendeu ao ator-cineasta o Prêmio Especial do Júri. O filme mostra, em clima de pesadelo (e toques de comédia), brasileiros atormentados por medida legal que obriga os portadores de melanina acentuada (pele preta) a serem deportados para a África. Como forma de resistência, eles se unem em afrobunkers.

“Novo Mundo”, de Álvaro Campos, ganhou dois prêmios importantes – o de melhor atriz para a jovem Tati Villela, estrela black em ascensão, e melhor roteiro, que o cineasta escreveu com seu elenco. O filme mostra um casal inter-racial. Conceição (Tati Villela) e o companheiro Presto (Nino Batista) pedem ao irmão deste que seja fiador de financiamento, de forma que possam adquirir um apartamento no Leblon, “o bairro mais branco do Rio”. O pedido se provará bem mais complexo do que imaginava o casal.

“Sol”, de Lô Politi, um road movie filmado na Bahia, rendeu o prêmio de melhor ator ao brasiliense-mineiro Rômulo Braga. O cearense Ivo Lopes Araújo, poeta das imagens, ganhou o Redentor de melhor fotografia pelo longa gaúcho “Casa Vazia”, de Giovani Borba.

O Redentor de melhor documentário coube ao carioca “Rolê – Histórias dos Rolezinhos”, de Vladimir Seixas. “Uma Baía” rendeu a Murilo Salles o Redentor de melhor direção, e melhor montagem para Eva Randolph, que concorreu com editores também de longas ficcionais.

Se, na seleção de curtas-metragens, o Festival do Rio cometeu uma “cariocada”, abrindo seis vagas (em 13) para a produção local, na premiação, deu um show de imparcialidade: o júri escolheu a animação “Solitude”, de Tami Martins e Aron Miranda, dois realizadores do longínquo Amapá. Pela primeira vez, o pequeno estado amazônico tornou-se detentor do prêmio máximo de um dos maiores festivais brasileiros. Algo a se comemorar.

O sensível “Rio Doce”, do pernambucano Fellipe Fernandes, que marcara boa presença no curitibano Olhar de Cinema, foi o vencedor da mostra Novos Rumos do Festival do Rio. No mesmo segmento, mais um prêmio para “Chão de Fábrica”, de Nina Kopko, que venceu o Cine Ceará e o Festival de Brasília.

Confira os vencedores:

. “Medusa”, de Anita Rocha da Silveira (RJ) – melhor filme, direção (ex-aqueo), atriz coadjuvante (Lara Tremouroux)
. “Medida Provisória”, de Lázaro Ramos (RJ) – Prêmio Especial do Júri
. “A Viagem de Pedro”, de Laís Bodanzky (SP-RJ) – melhor direção (ex-aqueo), ator coadjuvante (Sérgio Laurentino)
. “Novo Mundo”, de Álvaro Campos (RJ) – melhor atriz (Tati Villela), roteiro (Álvaro Campos e elenco)
. “Sol”, de Lô Politi (SP) – melhor ator (Rômulo Braga)
. “Casa Vazia”, de Giovani Borba (RS) – melhor fotografia (Ivo Lopes Araújo)
. “Rolê – Histórias dos Rolezinhos”, de Vladimir Seixas (RJ) – melhor longa documental
. “Uma Baía”, de Murilo Salles (RJ) – melhor direlão em documentário, melhor montagem (Eva Randolph)
. “Solitude”, de Tami Martins e Aron Miranda (Amapá) – melhor curta

Mostra Novos Rumos

. “Rio Doce”, de Fellipe Fernandes (PE) – melhor longa
. “Chão de Fábrica”, de Nina Kopko (SP) – melhor curta
. “Os Primeiros Soldados”, de Rodrigo de Oliveira – Prêmio Especial do Júri para a atriz Renata Carvalho
. “O Dia da Posse”, de Allan Ribeiro (RJ) – menção honrosa

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