Filme acompanha quatro feirantes e examina a desigualdade social por trás de uma tradição ameaçada
Barracas coloridas por flores e frutas. O aroma forte dos pasteis e dos mais variados temperos. Homens e mulheres que não poupam o gogó para vender suas mercadorias. As feiras livres são uma instituição nacional, mas pouca gente enxerga as histórias por trás da mais popular forma de comércio no país.
Apaixonada pelas feiras de seu Rio de Janeiro natal desde a infância, a cineasta Silvia Fraiha decidiu contar estas histórias, transformando pessoas que eram “coadjuvantes”, que encontrava uma vez por semana, em protagonistas de um documentário. “Todo Dia é Dia de Feira”, com estreia prevista para o dia 3 de abril, dá voz a Arnaldo, Luiz, Fernando e Cristina, feirantes profissionais, com distribuição da Califórnia Filmes.
Narrado em primeira pessoa pela diretora, que considera o filme um projeto muito pessoal, o documentário passeia pelos bastidores das feiras livres, registrando os corredores coloridos – e barulhentos – de um espaço de convivência cada vez mais ameaçado. Tanto pela falta de compromisso das autoridades quanto pela concorrência massiva dos supermercados.
Enquanto mostra como o contato de anos transformou muitos clientes e feirantes em amigos, Silvia examina as rotinas de seus personagens principais: visita suas casas nas comunidades do Rio, conversa com suas famílias e conta suas trajetórias. No processo, encontra histórias de luta, dificuldades e episódios dolorosos, mas descobre uma gente forte que nunca se permitiu perder a alegria e a vontade de vencer.
Pequeno retrato do cotidiano de mais de 8 mil famílias, “Todo Dia é Dia de Feira” traça um mapa da desigualdade social na segunda maior cidade do país.