Festival de Cinema Europeu soma filmes sobre Sarah Bernhardt e Cicciolina a “Oito Décadas de Amor“

Foto: “A Divina Sarah Bernhardt”, de Guillaume Nicloux

Por Maria do Rosário Caetano

O Festival do Cinema Europeu, organizado por Jean Thomas Bernardini, espécie de “embaixador” das cinematografias do Velho Continente no Brasil, chega à sua segunda edição a partir dessa quinta-feira, 23 de abril, com sessões sediadas em seus dois focos emissores: a cidade de Niterói (Circuito Niemeyer) e São Paulo (Reserva Cultural, na Avenida Paulista). Mas, muitas outras cidades brasileiras receberão os 14 filmes selecionados para a Maratona Europeia, que prosseguirá até o dia 29.

Três dos filmes programados por Bernardini podem (e devem) causar furor. Se não artístico, pelo menos temático.

O primeiro (“Diva Futura”, de Giulia Louise Steigerwaldt), assistido pela Revista de CINEMA, dirige seu foco à pornografia cinematográfica italiana, que teve na húngara Ilona Louise Staller, a Cicciolina, sua estrela mais chamativa. Este longa peninsular se fará representar, entre nós, pela atriz Barbara Ronchi. Ela desembarca, nessa quarta-feira, no circuito Rio-Niterói, para acompanhar sessão especial do filme de Giulia Louise.

A bela atriz italiana, que integrou elencos de Marco Bellocchio (“O Sequestro do Papa” e “Belos Sonhos”), Claudio Noce (“Irmãos à Italiana”), Francesco Costabile (o poderoso “Família”), Cristina Comencini (“O Trem Italiano da Felicidade”) e do tcheco Petr Václav (“Il Boemo”), interpreta um dos principais papeis do filme dedicado à polêmica agência Diva Futura (de atrizes e modelos eróticas). Só que coube a ela interpretar Débora, a mais “casta” das mulheres dessa trama que expõe corpos marcados por curvas sinuosas e cabelos louros esculpidos em cachos sedutores. Além de Cicciolina, a breve Moana e a fogosa Eva se destacam. No comando da agência, o criador é responsável pela Diva Futura, Riccardo Schichi, em ótimo desempenho de Pietro Castellitto. O filme tem o livro da secretária Débora como fonte originária (“Não Diga à Mamãe que Faço a Secretária”).

O segundo filme (“A Divina Sarah Bernhardt”, de Guillaume Nicloux, também assistido pela Revista de CINEMA) deve causar sensação entre os que se interessam por Sarah Bernhardt (1844-1923), “maior atriz de todos os tempos”, a “estrela que fez do culto à celebridade” uma missão, “a divina diva” que dividiu os palcos com os maiores nomes da representação francesa de sua época.

Sarah dividiu, também, a cama com infindáveis parceiros – entre eles, computam seus biográficos – notáveis como o poeta e romancista Victor Hugo, que a presentearia com uma “lágrima” de diamante, o Príncipe de Lignes-Bélgica (pai do único filho da atriz, Maurice), o Príncipe de Gales (futuro Rei Eduardo VII da Inglaterra), o gravurista Gustave Doré e, também, a pintora expressionista Louise Abbema, amiga e namorada.

A Nicloux, porém, só interessa uma relação, um obsessivo ‘amour fou’. Aquele que uniu Sarah (magnificamente interpretada por Sandrine Kiberlain), já madura e famosérrima, ao ator Lucien Guitry (1885-1925), pai do também ator (dramaturgo e cineasta Sacha Guitry). Por Lucien (encarnado no rosto anguloso de Laurent Lafitte), a divina Sarah perderá a cabeça, a compostura, a classe. Dará escândalos públicos, armará barracos e chantagens. Voltaremos ao assunto, de alta carga erótica, pois ele (o ‘amour fou’ da estrela por Guitry) constitui a mola propulsora do filme.

O terceiro longa de nome aliciante do Festival Europeu – “Oito Décadas de Amor” – trará ao Brasil o cineasta basco Julio Medem, que os brasileiros conhecem do belo (e sofisticadamente erótico) “Lucia e o Sexo”. Caberá a ele representar o grande momento vivido pelo cinema espanhol, que este ano terá tripla representação no Festival de Cannes (com filmes de Pedro Almodóvar, Rodrigo Sorogoyen e Los Javis).

Apesar do instigante título, dedicado a “Oito Décadas de Amor”, o novo longa de Julio Medem, de 67 anos, chega recomendado apenas por modesto prêmio (do júri popular) no Festival de Málaga, na Andaluzia. O que nos induz a concluir que o (sumido) realizador dos tempos em que encantava cinéfilos com “cults” (como “Os Amantes do Círculo Polar”, “Vaca”, “Terra” e “O Esquilo Vermelho”) anda distante dos festivais de primeira linha.

A mostra europeia da Imovision receberá, também, a cineasta francesa, de origem lituana, Alanté Kavaïté. Ela assina “Beladona”, protagonizada pela graciosa Nadia Tereszkiewicz, do elenco ozoniano de “O Crime é meu”. O evento receberá, ainda, os gêmeos franceses Ludovic e Zoran Boukherma, diretores de “E seus Filhos Depois Deles”.

“Mirrors Nº 3”, de Christian Petzhold

A seleção 2026 do Festival Europeu traz, além dos cinco filmes acima citados, mais nove títulos vindos da Alemanha, Polônia, Suíça, Itália e França. Cinéfilos empedernidos puderam ver dois deles na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: o alemão “Mirrors Nº 3”, de Christian Petzhold, e o também germânico “Amiga Silenciosa”, da húngara Ildikó Enyedi. Estávamos entre os espectadores que os assistiram na maratona da mostra, festival que esse ano comemora seu cinquentenário.

A França, que tem a maior representação do festival (cinco títulos), apresenta-se, também, com “As Cores do Tempo”, de Cédric Klapish, e “O Grande Arco de Paris”, de Stéphane Demoustier. Este último, assistido pela Revista de CINEMA, concorreu ao César, o “Oscar francês”. Mas não levou prêmio relevante.

“O Grande Arco” desenha cinebiografia de um obscuro (e talentoso) arquiteto escandinavo, de nome Johan Otto von Spreckelsen (interpretado por Claes Bang). Ele uniria sua história pessoal à História francesa. Afinal, na década de 1980, o Governo Mitterrand promoveu concurso internacional em busca de projeto que servisse de base à construção do Arco de la Défense, cuja inauguração estava agendada para os festejos do Bicentenário da Revolução Francesa (1989). Quando os envelopes foram abertos, verificou-se o inesperado. O vencedor era um desconhecido e provinciano profissional dinamarquês, cujo currículo somava cinco obras (sua própria casa e quatro igrejas). Além de provinciano, Johan Otto parecia religioso demais para os padrões do país que separou o Estado da Igreja.

Estaria o laureado arquiteto apto a intervir na paisagem da Cidade Luz? Afinal, o Arco de la Défense seria construído nas imediações (e poderia ser visto pela imensa cavidade) do Arco do Triunfo, cartão postal da Paris que, em seus tempos de “centro do mundo”, celebrou as conquistas napoleônicas.

O que veremos na clássica narrativa de Demoustier deve deixar arquitetos e urbanistas em sintonia com os destinos do dinamarquês. Já espectadores mais exigentes o tomarão como narrativa convencional. Mas, além do protagonista (o ator escandinavo Claes Bang), o filme conta com dois desempenhos notáveis: o do canadense Xavier Dollan, que interpreta Jean-Louis Subillon, importante assessor de Mitterrand, e o luminoso Swann Arlaud (de “Anatomia de uma Queda”), na pele de Paul Andreu, arquiteto-auxiliar de Johan Otto von Spreckelsen.

A Itália soma ao erótico “Diva Futura” um filme do respeitado Paolo Virzì (“Cinco Segundos”), e “Querendo ou Não”, de Gianni Di Gregório. A Suíça comparece com “Rebelião Silenciosa”, de Marie-Elsa Sgualdo. A Alemanha chega com dois diretores muito conhecidos dos cinéfilos brasileiros – além do ótimo Christian Petzhold, o germânico Fatih Akin, de origem turca (com “Uma Infância Alemã”). A Polônia tem um solitário representante, “Erupcja”, de Pete Ohs.

A húngara Ildikó Enyedi, de 70 anos, tornou-se conhecida dos cinéfilos brasileiros com “Corpo e Alma” (2017), um filme de misteriosa atmosfera, vencedor do Festival de Berlim. Depois, ela teria alguns de seus poucos longas-metragens exibidos na Mostra SP (caso de “O Caçador Mágico – A Sétima Bala” e “A História da minha Esposa”). Com “Amiga Silenciosa”, produção alemã realizada em parceria com a Hungria e a França, Enyedi narra três histórias. Tudo começa com uma frondosa árvore, o gingko, que veremos num jardim botânico, ainda na era medieval. Esse elemento da natureza nos ligará às transformações de três vidas humanas, colocadas em tempos recentes.

Em 2020, um neurocientista de Hong Kong (Tony Leung), dedica-se ao estudo da mente de bebês e dá início a experimento inesperado com o gingko. Em 1972, uma jovem estudante será marcada por gosto singelo – a observação de um gerânio. No início do século XX (1908), uma mulher jovem, primeira aluna de uma universidade, descobrirá, pelas lentes de câmera fotográfica, padrões sagrados do universo escondidos nas plantas.

O filme participou do Festival de Veneza e teve uma de suas jovens atrizes, Luna Wedler, premiada com o Troféu Marcello Mastroianni, destinado à descoberta de novos talentos. Pela segunda vez, a francesa Léa Seydoux (de imenso destaque em “A História da minha Mulher”) participa do elenco de Ildikó Enyedi, cada vez mais envolvida com produções internacionais. “Amiga Silenciosa” dura 147 minutos e é recomendado a quem aprecia filmes densos e panteístas.

“Mirrors Nº 3”, de Christian Petzold, une, mais uma vez, o cineasta a Paula Beer, sua atriz em outros e ótimos filmes (“Em Trânsito”, “Undine”, “Afire”). Dessa vez, para contar uma história sintética e tocante, com alguns elementos de estranheza.

Laura (Paula Beer), que estuda em Berlim, resolve passar o final de semana no campo. Sofre acidente de carro, do qual escapa milagrosamente. Sem ferimentos, mas profundamente abalada. Será acolhida por Betty (Bárbara Auer), que presenciou o acidente. Ela socorrerá e cuidará da moça com muito zelo. O marido e o filho de Barbara, de início, relutam em aceitar a estranha. Mas, depois, certa tranquilidade familiar se instala na casa de campo. Laura, porém, deverá retomar a própria vida.

“Mirrors”, que foi exibido na Quinzena dos Cineastas, no Festival de Cannes, é recomendado a quem acompanha a trajetória de Christian Petzhold, de 65 anos, descoberto pelos cinéfilos brasileiros pelo fascinante “Barbara” (2012), protagonizado por Nina Ross, que rendeu a ele o Urso de Prata de melhor diretor em Berlim.

Desenhado o quadro de atrações da segunda edição do Festival de Cinema Europeu no Brasil, voltamos ao “Divina Sarah Bernhardt”.

O que se dirá aqui parecerá jornalismo de fofoca. Mas não é, pois trata-se da essência mesma do roteiro, concentrado em trecho da longa vida (de quase oito décadas) da estrela francesa, aquele marcado pelo louco amor vivido com Guitry pai. Nicloux filmou roteiro pesquisado e escrito com imensa dedicação por Nathalie Leuthreau.

Nós, brasileiros, sabemos que a “Divina Sarah” correu mundos para levar sua arte (e ampliar a glória da França) a todos os quadrantes. No Brasil, esteve quatro vezes. Duas a convite do Imperador Pedro II. Numa de suas visitas, quando representava “La Tosca” no Theatro Lírico, sofreu acidente, que teria consequências graves pelo resto de sua vida. Avariou o joelho ao saltar de muro cenográfico e não encontrar as almofadas que deveriam amortecer a queda.

A cineasta brasileira Ana Carolina (que essa semana ganha mostra retrospectiva na Cinemateca Brasileira) dedicou belo filme à trágica aventura de Sarah no Rio de Janeiro (“Amélia”, 1999). Para interpretar a diva francesa, ela convocou a atriz parisiense Béatrice Agenin, coadjuvada por atrizes inesquecíveis (as brasileiras Myriam Muniz, Camila Amado e Alice Borges, unidas em formidável trio caipira). O problema na perna de Sarah iria agravar-se até que a gangrena a obrigasse a submeter-se a cirurgia de amputação. Mas isso aconteceria mais tarde.

Antes – mostrará o filme –, a Divina se entregaria à tórrida paixão pelo ator Lucien Guitry. Embora os perfis digitais da atriz dediquem exíguo espaço ao ator, Madame Bernhardt o definirá, reiteradas vezes, como seu parceiro mais amado e desejado. Aquele que marcou para sempre sua vida (o final desenhado por Nicloux, de grande beleza, sintetizará esse amor profundo e quase sobrenatural). Pai do pré-adolescente Sacha Guitry, Lucien levará o menino para declamar ode hagiográfica à atriz, que então, no final do século XIX, vivia o auge de sua trajetória artística.

O menino crescerá e acabará tornando-se rival do pai, pois desposará a jovem atriz que este amava (sem deixar de amar também a possessiva Sarah). O filme explora muito bem essa trama de aparência improvável. Quando Lucien ameaça abandonar Sarah para desposar a noiva Suzanne (Pauline Etienne), a veterana diva usará de ardiloso estratagema. Colocará sua “famosa lágrima-diamante”, presenteada por Victor Hugo, no leito de Lucien para provar à jovem noiva que seu futuro marido continuava frequentando sua alcova. O ator perderia a noiva que, saberemos depois, iria se casar com seu filho Sasha.

Há que se lembrar que Guitry (filho) se transformaria em ator, dramaturgo e cineasta bem mais famoso que o pai. Seus textos dramáticos e seus filmes (em especial “O Romance de um Trapaceiro”, de 1936) sustentariam seu prestígio. Para ele, o cinema era “uma lanterna mágica, da qual não se deve excluir a ironia e a graça”. Foi o que ele fez. Seja com seus textos teatrais, seja em seus filmes, impregnados de ironia e graça (“Eram Nove Solteirões”, “Se Versailles Falasse”, “Se Paris nos Houvesse Contado”, “Amantes e Ladrões” e outros mais).  No longa de Nicloux (de menos de 100 minutos), Guitry pai e Guitry filho terão papeis notáveis, essenciais.

O filme é bom? É. Mesmo que o jornal Libération o tenha definido como “biopic acadêmica”. A Cahiers du Cinéma, avessa a cinebiografias, o brindou com três cobiçadas estrelas. Os elogios apresentam-se unânimes e efusivos quando se referem à interpretação sensual de Sandrine Kiberlain, obrigada a se cercar de algumas das grandes estrelas da Comédie Française (Laurent Socker, como o mordomo Pitou, Clément Hervieu-Léger, como George Clairin, Sébastien Pouderoux, como Samuel Pozzi).

O que mais chama atenção no trabalho de Kiberlain é sua capacidade de dizer imensos textos com furiosa paixão. Como se o fogo de um vulcão saísse de suas entranhas. Até quem nunca ouviu falar da “Divina Sarah” há de encantar-se com a exuberância e carisma da estrela do passado e de sua intérprete contemporânea. E há outro trunfo digno de nota no filme – o desempenho de Laurent Lafitte. Com seu rosto bem desenhado, ele parece mesmo capaz de levar uma mulher à loucura erótico-sensorial. As cenas de sexo entre os dois são ousadas e envolventes.

Registre-se, aqui, que Guillaume Nicloux abre sua narrativa com colagem de trechos de filmes protagonizados – em preto-e-branco e vindos, claro, da era silenciosa – por Sarah Bernhardt. Num deles, ela interpreta (atrevida que era) “Hamlet”. Não no papel de Ofélia, mas no do príncipe da Dinamarca. O filme (“Le Duel d’Hamlet”, 1899) foi feito por um dos cinegrafistas dos Irmãos Lumière.

Sasha Guitry, que tinha Sarah Bernhardt como “uma segunda mãe”, a dirigiria no filme “Ceux de Chez Nous” (1915) e prepararia “La Voyante” (em 1923, momento derradeiro da atriz). Mais tarde, ele ajudaria a organizar edição das memórias da maior estrela do teatro francês (“Ma Double Vie”). Que aliás, teve enterro digno de imperadores.

As cenas documentais que encerram o filme de Nicloux são acompanhadas de número espantoso. Os funerais da mais midática das estrelas de teatro da história ocidental seriam acompanhados por “600 mil pessoas”. Gente de toda a França e vinda de vários lugares do mundo.

Passados mais de cem anos da morte da “Divina Sarah”, o filme sobre seus anos áureos e seu ‘amour fou’ por Lucien Guitry levou 450 mil espectadores aos cinemas franceses. Quem quiser assistir ao “Duelo de Hamlet”, com ela encarnada no mais famoso dos personagens shakespearianos, poderá fazê-lo no YouTube (o registro dura apenas 1’44”).

Como Sarah viveu o intenso século XIX na sua Paris natal, pôde desfrutar de amizades e encontros inesperados (nesse caso, com Sigmund Freud, a quem não deu a devida atenção). Já ao romancista Emile Zola (Arthur Igual), com quem manteve importantes conversas sobre o Caso Dreyfus, e ao dramaturgo Edmond Rostand, o festejado autor de “Cyrano de Bergerac” (Sylvain Creuzevault), a atriz dedicaria imensos carinho e atenção. Mas o filme de Nicloux nasceu vocacionado a dar relevo às relações dos Guitry, pai e filho, com Sarah. Eles estão no âmago dos concentrados e desmedidos afetos da estrela.

Confira os filmes selecionados:

FRANÇA

. “Beladona’ (Beladonne), de Alanté Kavaïté
. “E Seus Filhos Depois Deles”, de Ludovic e Zoran Boukherma
. “As Cores do Tempo”, de Cédric Klapisch
. “O Grande Arco de Paris”, de Stéphane Demoustier
. “A Divina Sarah Bernhardt” (Sarah Bernhardt, La Divine), de Guillaume Nicloux

ALEMANHA

. “Uma Infância Alemã” (Amrum), de Fatih Akin
. “Mirrors Nº 3”, de Christian Petzold
. “Amiga Silenciosa”, de Ildikó Enyedi

ITÁLIA

. “Querendo ou Não”, de Gianni Di Gregorio
. “Diva Futura”, de Giulia Louise Steigerwalt
. “Cinco Segundos”, de Paolo Virzì

ESPANHA

. “Oito Décadas de Amor”, de Julio Medem

POLÔNIA

. “Erupcja”, de Pete Ohs

SUÍÇA

. “Rebelião Silenciosa”, de Marie-Elsa Sgualdo

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