Brasil leva delegação do cinema nacional ao 28º Festival de Xangai

Foto: Paulo Feitosa, diretor da Quitanda Soluções Criativas, Joelma Gonzaga, secretária do Audiovisual, Cassius Rosa, secretário-executivo adjunto do MinC, e ⁠Lucas Lima, cônsul adjunto do Brasil em Xangai © Luciele Oliveira

Alinhada às celebrações oficiais do Ano Cultural Brasil-China 2026, a delegação da Plataforma Brasil de Audiovisual chega ao continente asiático para participar do 28º Festival Internacional de Cinema de Xangai (SIFF). Entre os dias 19 a 23 de junho, durante o evento de negócios do SIFF, a comitiva brasileira concentrará esforços em uma missão estruturada para articular acordos comerciais, impulsionar coproduções internacionais e fortalecer a relação entre os países, consolidando o Brasil como um parceiro prioritário na cadeia produtiva de cinema e televisão na Ásia.

Conduzida pelo secretário-executivo adjunto do Ministério da Cultura do Brasil, Cassius Rosa, e pela secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura do Brasil, Joelma Gonzaga, a frente de negócios da missão é composta por 44 representantes e 16 empresas brasileiras do setor, abrangendo produtoras, distribuidoras, estúdios de animação e prestadoras de serviços técnicos. O grupo conta com porta-vozes de seis estados (Bahia, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal) vinculados a dez associações setoriais diferentes. A iniciativa brasileira contará com um estande no Mercado Internacional de Cinema e Televisão de Xangai, localizado no pavilhão oficial do National Exhibition and Convention Center (NECC), onde ocorrerão encontros contínuos de negócios com canais de TV, plataformas digitais, investidores e distribuidores asiáticos.

Um dos momentos mais estratégicos da agenda comercial acontece no dia 21 de junho, com a realização do Seminário Setorial. O painel debaterá as políticas públicas estruturadas para os próximos 10 anos do audiovisual brasileiro, abordando o Plano Nacional de Cultura (PNC) e o Plano Diretório do Audiovisual (PDM). O encontro também detalhará os novos mecanismos e possibilidades de financiamento internacional para projetos de coprodução com o Brasil, contando com a participação de representantes do Ministério da Cultura, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco do BRICS.

A abertura oficial das ações ocorrerá na noite de 19 de junho com o evento Noite Brasil, projetado como um ambiente de relacionamento de alto impacto para conectar autoridades, imprensa e players do mercado internacional. A música fica por conta do grupo Golden Brazilians, pioneiros na difusão da música popular brasileira na China. Agregado à participação na frente de negócios do evento, o Brasil também aproxima-se do país asiático por meio da Mostra de Cinema Brasileiro em Xangai, que integra a programação do SIFF a fim de promover uma ponte entre o audiovisual de ambas as nações.

Participam da mostra as animações “Coração das Trevas”, que acompanha a busca de um jovem oficial da polícia carioca por outro agente desaparecido, dirigida por Rogério Nunes; “Papaya”, sobre uma pequena semente de mamão que deseja voar, de Priscilla Kellen; e “Amadeo e o Hipotético Mundo Novo”, que retrata a jornada de um aprendiz de cientista no Brasil do século XIX diante do amor e da luta contra a escravidão, de Edu Felistoque.

No gênero documental, “Para Vigo me Voy!”, de Lírio Ferreira e Karen Harley, mergulha com imagens inéditas na vida e obra do cineasta Cacá Diegues; e “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, segue meninas do sertão do Piauí que se aventuram na travessia até a adolescência e o futuro, enquanto o passado patriarcal ainda pulsa na cidade.

Já entre as ficções, estão os dramas “Feito Pipa”, de Allan Deberton, que retrata a vida de um garoto e de sua avó até que a seca na região traz à tona as ruínas de uma antiga cidade e, junto dela, lembranças familiares; e “O Deserto de Luiza”, de Alan Minas, que acompanha uma garota que sonha em ser artista mas vê sua vida abalada por um episódio de esquizofrenia da mãe. Além disso, o suspense psicológico “Herança de Narcisa”, de Clarissa Appelt e Daniel Dias, acompanha uma mulher que, ao tentar vender a casa de sua infância, passa a ser assombrada por memórias da mãe, uma ex-vedete recentemente falecida.

“A Hora da Estrela”, adaptação do livro de Clarice Lispector dirigida por Suzana Amaral e lançada em 1986, é o único longa não datado do período recente escolhido para a iniciativa. Por se tratar de um clássico, o longa representa a tradição e longevidade não apenas do cinema, mas também da literatura brasileira.

Além da Mostra de Cinema Brasileiro, “O Deserto de Luiza” e “Amadeo e o Hipotético Mundo Novo” também participam das competições do festival, enquanto “Feito Pipa” integra a mostra Belt and Road Film Week, voltada para fortalecer o intercâmbio cinematográfico entre países.

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