H1 –Crupier (1998): uma joia quase desconhecida no catálogo de streaming

Uma das grandes vantagens das plataformas de streaming é que, de vez em quando, podemos encontrar algum pequeno tesouro clássico, daqueles que costumam passar despercebidos, mas que sem dúvida nos proporcionarão bons momentos em frente à tela da televisão. Neste caso, falaremos do quase desconhecido Crupier (1998).

O filme de Mike Hodges combina, de forma magistral, a intriga, a intensidade das relações humanas e algumas dúvidas existenciais. E isso é feito a partir de uma perspectiva nova e fresca, mas sem renunciar à homenagem a várias referências do cinema noir. Uma joia do final dos anos 90 que vale a pena revisitar ocasionalmente.

H2 – O enredo

Clive Owen interpreta Jack Manfred, um homem que aspira se dedicar à profissão de escritor, mas cujos livros ainda estão longe de ser seu principal sustento econômico. Jack tem a oportunidade de conseguir um emprego como crupiê em um cassino inglês, por meio de seu pai. E, embora relutante, porque quer se concentrar em sua faceta como criador literário, ele acaba aceitando a oferta.

Assim, ele começa em seu novo local de trabalho, onde rapidamente analisa seus colegas e o funcionamento desse pequeno cassino, sem deixar de prestar atenção às oportunidades que ele pode oferecer. O protagonista terá que lidar, simultaneamente, com o relacionamento com sua parceira habitual e seu objetivo de ser um escritor de sucesso.

H2 – O contexto

Até aqui, o enredo pode parecer um pouco original, mas nada tão notável a ponto de chamar a atenção. No entanto, o filme trabalha o ambiente que envolve a ação com uma abordagem mais inovadora. Longe dos cassinos majestosos que costumam aparecer no cinema, Crupier se passa em um local modesto, com uma clientela variada, onde predomina a classe média.

A forma de refletir a sociedade e o jogo dos anos 90 também é fundamental. Vale ressaltar que este filme foi lançado em 1998, mas estava sendo preparado desde 1996. Ainda faltava muito para que a internet se generalizasse e, mais ainda, para que os cassinos online fizessem sua aparição; nada a ver com o presente, em que essas plataformas de última geração, como a Ignition Brasil entre outras, chegam ao grande público e reúnem extensos catálogos em formato digital.

Portanto, os jogos de mesa concentravam-se nos cassinos físicos e a figura do crupiê tinha um maior reconhecimento na cultura popular ligada a esses entretenimentos. Clive Owen não se apresenta como um novato que precisa aprender o ofício, mas como um profissional experiente com um notável histórico, devido aos anos que passou na África do Sul trabalhando na linha de frente do setor.

H2 – O caráter de Jack e as surpresas

Jack não só tem experiência neste mundo, como também demonstra uma personalidade intrigante. Clive Owen, que normalmente é um pouco inexpressivo em suas interpretações, cumpre perfeitamente o papel que esta produção exige. Não é de se admirar que seu trabalho o tenha catapultado para papéis mais relevantes e de caráter internacional nos anos seguintes. Crupier o colocou no mapa e não demorou muito para chegar a Hollywood.

O personagem Jack Manfred é muito menos inocente e idealista do que se poderia pensar no início do filme. Ele assume o controle da situação com bastante facilidade; embora as reviravoltas do roteiro proporcionem mais de uma surpresa e Jack talvez não consiga administrar tudo como gostaria (ou será que consegue?).

Durante o desenrolar da história, todos os tipos de personagens se cruzam com ele (cada um com seus próprios interesses), o que acabará resultando em um plano ambicioso, no qual ele se verá inserido. O diretor Mike Hodges, com uma trajetória interessante no mundo do thriller, soube muito bem como manter o espectador atento à tela em Crupier e, ao mesmo tempo, criar uma certa empatia com o personagem Jack.

H2 – O veredicto de Crupier

Hoje em dia, não é fácil uma produção de cinema noir conseguir nos surpreender favoravelmente. A grande maioria das referências do gênero são muito conhecidas e já as vimos mais de uma vez. Por isso, encontrar um tesouro escondido do final dos anos 90, como é o caso deste filme, pode nos proporcionar bons momentos.

À primeira vista, Crupier não parece ter grandes ambições nem pretendia se tornar um blockbuster de sucesso absoluto de bilheteria. É mais uma obra artesanal, uma história que quer intrigar e consegue surpreender. Uma narrativa em primeira pessoa, com situações que vão evoluindo e mudando a mente do protagonista, que adapta seus planos ao que descobre pelo caminho, sem perder de vista seu objetivo final.

Esta produção de Hodges é recomendável? Sem dúvida. Se ainda não a viu, é uma ocasião perfeita para a descobrir. Se já a viu há algum tempo, talvez seja o momento de a revisitar e prestar mais atenção a alguns detalhes, tanto do enredo como do cenário. Há muito tempo que não se faz cinema como este. E é preciso aproveitar as ocasiões que se apresentam para o saborear, com calma e atenção.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.