Tributo ao cineasta, professor e gestor cultural Orlando Senna

Por Maria do Rosário Caetano, de Curitiba (PR)

O Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba dedicou a noite dessa terça-feira, 9 de junho, à memória do cineasta baiano Orlando Senna, que morreu no Rio de Janeiro, aos 86 anos.

No palco do Cinema do Museu Oscar Niemeyer, antes da sessão do longa-metragem (baiano!) “Reparação”, um dos curadores do Olhar, Eduardo Valente, resumiu nota de pesar assinada pelo comando do festival curitibano. Lembrou que “Orlando Senna ficará eternizado na memória e nas telas do Brasil”. Ele, que tornou-se “conhecido pelo seu trabalho, em parceria com Jorge Bodanzky, no longa-metragem ‘Iracema – Uma Transa Amazônica’”.

O diretor de “Brás Cubas”, parceria com Santiago Alvarez, e de filmes-solo como “Diamante Bruto” e “Longe do Paraíso” — registrou a nota de pesar do Olhar de Cinema —, foi, também, “renomado escritor, roteirista e gestor cultural”. E, com seus mais de 30 filmes como roteirista e/ou diretor, se fez notar pelo “engajamento político e pelas inovações estéticas”, características que lhe garantiram a condição de “figura muito influente no cinema brasileiro”.

Ao subir ao palco para apresentar “Reparação”, seu segundo longa-metragem, Marcus Curvelo, de 39 anos, também dedicou “a primeira sessão pública de meu primeiro longa-solo”, mais um exercício de autoficção, à memória de seu conterrâneo Orlando Senna. Este, nascido na Chapada Diamantina, e Curvelo, na capital baiana.

Nas redes sociais, multiplicaram-se os votos de pesar pela morte do cineasta, notável também por seus inúmeros trabalhos como gestor cultural e professor. Seja na Secretaria do Audiovisual, durante a gestão do ministro da Cultura Gilberto Gil, seja em escolas de cinema. Foram muitos os seus ex-alunos na EICTV (Escola Internacional de Cinema e TV de San António de Los Baños), em Cuba, ou no Instituto de Dramaturgia do Dragão do Mar, em Fortaleza.

Manifestaram-se, também, sua amiga filial, Manuela Dias, filha da atriz Sônia Dias (“Tenda dos Milagres”), Cecília Amado, que produziu o longa documental “O Amor Dentro da Câmera” (registro das relações afetivas e profissionais de Orlando e sua companheira, a atriz Conceição Senna), e muitos cineastas.

Jorge Bodanzky, parceiro de Senna nos longas “Iracema – Uma Transa Amazônica”, filme de culto para realizadores como Fernando Meirelles, e “Gitirana”, mergulho na literatura de cordel, registrou: “É com imensa tristeza que perco hoje um grande companheiro. Éramos jovens e realizamos juntos muitos trabalhos marcantes. Meus sentimentos aos amigos e familiares”.

A mensagem de Bodanzky se fez acompanhar de foto (abaixo) realizada por ele, em poético preto-e-branco, no Pará da primeira metade dos anos 1970. Naqueles anos de ditadura militar, filmar a “Transa Amazônica” protagonizada por Edna de Cassia e Paulo Cesar Pereiro, custaria caro a Bodanzky e Senna. O longa, que somava ficção e documentário (com impressionantes imagens da floresta calcinada pelo fogo, que correriam mundo) seria interditado pela Censura e só liberado depois da “Abertura lenta, gradual e segura” promovida pelo Governo Geisel (o mesmo que interditara o filme).

Conceição Senna e Orlando Senna © Jorge Bodanzky

Quem quiser mergulhar na história de Orlando Senna e da atriz Conceição (1937-2020), sua companheira de toda uma vida, deverá assistir ao longa documental “O Amor Dentro da Câmera”, de Lara Belov e Jamille Fortunato. As duas bananinhas uniram forças com a cineasta e produtora Cecília Amado (“Capitães da Areia”) e radiografaram a trajetória amorosa e cinematográfica do casal.

O filme, lançado em 2021, foi premiado no Panorama de Cinema da Bahia. E revelou, com delicadeza e detalhes muito significativos, que o amor que uniu o casal, por quase seis décadas, nascera, realmente, dentro de uma câmera de filmar. Quando os dois dividam funções num curta dirigido por Senna e protagonizado por Conceição.

O futuro casal amoroso-cinematográfico faria muitos e novos trabalhos juntos, no teatro, no audiovisual e na militância política. Em Cuba, enquanto ele dirigia e dava aulas na Escuela de Cine, ela apresentava na TV o programa “Una Ventana al Sur”.

A Escola de San António de los Baños, que teve em Orlando Senna um de seus mais dedicados artífices, foi criada por Fernando Birri e seus parceiros latino-americanos, sob as bençãos (e apoio financeiro) de Gabriel García Márquez. O autor de “Cem Anos de Solidão” foi professor na instituição, onde ministrava o curso Como se Cuenta un Cuento. Juntos, Senna e Gabo escreveriam o roteiro do longa-metragem “Édipo Alcaide”, dirigido pelo colombiano Jorge Ali Triana, protagonizado pelo cubano Jorge “Morango & Chocolate” Perugorría e exibido no Festival de Gramado, em começos dos anos 1990.

O escritor Fernando Morais fez questão de lembrar mais uma das facetas latino-americanas da atuação de Orlando Senna. Ele foi, junto com o próprio Morais e com o cineasta Walter Salles, eleito representante do Brasil no Conselho de notáveis, da TV Sur, projeto de inspiração bolivariana (em sentido amplo), que deveria somar forças de várias nações do subcontinente. Mas que não conseguiu romper a cordilheira simbólica que separa a América Hispânica da América Portuguesa.

Escritor inspirado, Senna (autor de “Um Gosto de Eternidade”, “Xana – Violência Internacional na Ocupação da Amazônia”, “Os Lençóis e os Sonhos” e “Santos Dumont: Ares Nunca Dantes Navegados”) teria significativa trajetória como roteirista. Escreveu, com parceiros, “O Rei da Noite” (Babenco, 1975), “Coronel Delmiro Gouveia” (Geraldo Sarno, 1977), “Abrigo Nuclear” (Roberto Pires, 1981), “Ópera do Malandro” (Ruy Guerra, 1985), entre outros.

Voltemos ao “Amor Dentro da Câmera”, lembrando que Senna tem participação significava em outro (e recente) longa baiano, “Anti-Heróis do Udigrúdi”, vencedor do Panorama de Cinema (de Salvador), em abril último. Neste documentário, o veterano cineasta de Lençóis relembra as loucas filmagens de “Caveira my Friend” (Álvaro Guimarães, 1970). Um dos filmes mais porra-loucas, senão o mais, da história do cinema brasileiro.

O longa de Lara e Jamile participou do Bafici, importante festival argentino, e de muitos outras mostras realizadas no Brasil. Como registramos na Revista de CINEMA (15/03/2021), “‘O Amor Dentro da Câmera’ tem muito de íntimo (a vida do casal em seu apartamento carioca) e de cinematográfico. Orlando e Conceição contam que se conheceram superficial e apressadamente nos agitos culturais da Salvador do finalzinho dos anos 1950. Separaram-se, mas o cinema os uniu. Um dia, com o olho no visor de uma câmera, Orlando viu uma figura que não saía de seus pensamentos. Era Conceição”.

Os dois baianos, ele de Lençóis, ela da sertaneja Valente, “reaproximaram-se e, dali em diante, viveriam um casamento que duraria quase seis décadas.

“O Amor Dentro da Câmera”, de Lara Belov e Jamille Fortunato

A intenção do baiano ao desposar Conceição dá origem a um dos momentos mais tocantes do filme. A atriz conta que perguntou ao namorado: “Casamento? Você quer se casar com uma mulher estéril?”. Orlando quis.

Jorge Amado e Zélia Gattai foram os padrinhos e os dois, se não puderam ter filhos biológicos, conviveram com dezenas de jovens por quem nutriram profundos sentimentos paterno-maternais. Estes “filhos” estão espalhados pela Bahia, por Cuba (onde viveram por dez anos), pelo Rio de Janeiro e pelo Ceará. Neste estado nordestino, o casal participou de projeto cultural-cinematográfico que somou um polo audiovisual, uma escola de cinema e uma vitrine, o Cine Ceará (Festival de Cinema Ibero-Americano de Fortaleza).

O casal enuncia, no documentário, ao longo de sintéticos 80 minutos (e com calma sertaneja), suas ideias e lembranças de tempos agitados do teatro e cinema baianos (quando conviveram com Helena Ignez, Glauber Rocha, Roberto Pires, Antônio Pitanga). Toma café, come fatias de mamão, divaga sobre a vida (Orlando tinha, na ocasião, 80 anos, e Conceição, que morreria aos 83, era um pouquinho mais velha).

Quando as jovens diretoras propõem a seus dois “personagens” que façam isso ou aquilo (gestos de carinhos e afagos) Orlando pergunta, metalinguisticamente: “Mas não vai ficar falso?”.

Acabará, com sua generosidade sem fim, satisfazendo todos os desejos de Lara e Jamille. Felizmente, o filme não se perde no registro íntimo do casal, pois Orlando e Conceição têm muito o que dizer e evocar. Em especial, lembrar os filmes em que ela atuou, sob direção dele ou não, ou dirigiu. E Orlando relembra seus tempos de professor na Escola Internacional de Cinema de San Antonio de los Baños, em Cuba, que fundou com Gabriel García Márquez e Fernando Birri, e da qual tornou-se diretor. Enquanto ele dirigia a Escuela, plantada nos arredores de Havana, Conceição comandava, em portunhol, o programa “Una Ventana al Sur” (Uma Janela ao Sul). Os telespectadores adoravam o sotaque da baiana e as reportagens que ela gravava quando vinha ao Brasil (até Caetano Veloso cantou na “Ventana”).

O cineasta, que partiu três dias depois de completar 86 anos, dirigiu dois filmes com o parceiro Jorge Bodanzky. No primeiro, “Iracema – uma Transa Amazônica”, Conceição interpretou uma prostituta, colega de ofício da jovem protagonista (Edna de Cassia), que carrega o nome-anagrama de América (Iracema). No segundo, “Gitirana”, a baiana foi a protagonista absoluta. Imagens desses dois trabalhos constituem a força de “O Amor Dentro da Câmera”. E são complementadas com breves trechos de mais de mais dezenove filmes, de representantes do Ciclo Baiano (“Tocaia no Asfalto” e o underground “Caveira my Friend”, passando por “Diamante Bruto”, “Coronel Delmiro Gouveia” e desaguando em “Longe do Paraíso”).

Orlando Senna manteve profunda ligação com a Revista de CINEMA e com seus editores, o cineasta Hermes Leal e a produtora Julie Tseng. Além de artigos escritos para a publicação, ele estimulou a publicação de dois livros-coletâneas — “ABD 30 Anos – Mais que uma Instituição, um Estado de Espírito” (2012) e “DocTV – Uma Operação de Rede” (2012). Tive o prazer de ser a organizadora desses dois volumes. E, ainda, enquanto estava à frente da Secretaria do Audiovisual do MinC, apoiou, através da instituição, a publicação impressa da revista e sua circulação na bancas de jornais e em festivais brasileiros e internacionais, com edições especiais em inglês.

E mais, Leal e Tseng produziram os derradeiros longas documentais de Orlando Senna, “Idade da Água”, que percorreu dezenas de festivais nacionais e no exterior, onde venceu como melhor filme o Cine del Agua, na Argentina, e “Sol da Bahia”, uma homenagem do cineasta à sua terra natal sobre a história da independência da Bahia. Além de editarem o livro de memórias de Conceição Senna, “A Menina, a Guerra e as Almas”. E coube a Hermes Leal, diretor da série “Cineastas” — cuja segunda temporada encontra-se em exibição no Canal Curta! — escrever a biografia de Orlando Senna (“O Homem da Montanha”), publicada pela Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, sob a coordenação de Rubens Ewald Filho.

Orlando Senna e Hermes Leal, na pré-produção de “Idade da Água”, em 2017

Abaixo, a Revista de CINEMA registra testemunhos vindos de artífices do audiovisual brasileiro, todos tributários da fértil atuação de Orlando Senna, seja como roteirista, cineasta, professor ou gestor cultural:

ALICE ANDRADE, cineasta (“Diabo a Quatro”, “Vinte Anos”) e produtora (“Anistia 79”) – “É difícil falar de Orlando, porque sua importância na minha vida é tão vasta que nem sei por onde começar. Não conheci ninguém mais aberto, generoso, curioso e profundamente revolucionário do que ele. Nem sei se existe alguém que tenha feito história em tantos lugares, marcado — e mudado os rumos — da vida de tanta gente e deixado tantos órfãos mundo afora. Sua obra ainda dará muito o que falar, agora que seus arquivos estão sendo digitalizados e que Jorge Bodanzky e eu concluiremos em breve o restauro de ‘Gitirana’, longa-metragem praticamente inédito, no qual Conceição Senna brilha esplendorosa. Todas as homenagens e toda saudade não bastam para agradecer a passagem de Orlando e Conceição Senna pela Terra”.

WOLNEY OLIVEIRA, cineasta cearense, diretor de “Os Últimos Cangaceiros” e “Lampião, o Governador do Sertão”, e coordenador do Cine Ceará – “Conheci Orlando na Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de Los Banos (EICTV). Fui aluno dele nessa escola, situada no arredores de Havana, e depois parceiro no roteiro de ‘Sabor a Mi’, média-metragem que eu dirigi. Posso dizer que fui o responsável pela ida de Orlando para Fortaleza, cidade onde ele foi um dos dirigentes do Instituto Dragão do Mar. Era um entusiasta do Cine Ceará, colaborou muito com nosso festival. Axé Mestre! Que os orixás do cinema te iluminem!”.

JOEL ZITO ARAÚJO, cineasta (“A Negação do Brasil”, “Filhas do Vento”, “Meu Amigo Fela Kuti”) – “Orlando Senna entrou no meu radar ainda em minha juventude, com “Iracema – uma Transa Amazônica”, fruto de uma bem-sucedida parceria com Jorge Bodanzky. Mas ele se firmou como uma referência constante por suas ricas reflexões sobre cinema. Morre um grande intelectual de nossa cultura, com uma visão estratégica que muito contribuiu para os rumos do cinema nacional”.

PAULO ALCOFORADO, cineasta (“O Samba Antes do Samba”) e membro da diretoria colegiada da Ancine – “O ingresso de Orlando Senna no Instituto Dragão do Mar foi também uma experiência de afeto. Sei que o mesmo se passou na Escuela San António de Los Baños, em Cuba. Lá, vi como os alunos olhavam para Orlando. Há uma comunidade de pessoas espalhadas por aí com um sentimento de gratidão por tudo o que ele compartilhou e potencializou em cada uma delas. Sua capacidade de se relacionar com cada um e enxergá-lo, estimulava no outro o sentido de alteridade. Daí nasce o documentarista, o humanista. Orlando é um mestre que beijamos e abraçamos com naturalidade”.

ALFREDO MANEVY, diretor de “Lupicínio Rodrigues, Confissões de um Sofredor“, doutor em Cinema pela USP e professor da UFSC – “Como gestor, cineasta e pensador, Orlando Senna encarnou uma rara continuidade entre criação artística, formulação intelectual e ação pública. Formado no caldo do Cinema Novo e das experiências latino-americanas, ele nunca abandonou a ideia de que o audiovisual é cultura, indústria. E é linguagem, território e disputa de imaginário. Sua passagem pelo Estado, especialmente à frente da Secretaria do Audiovisual no governo Lula, liberou a potência criativa na forma de gestão. Ao reorganizar estruturalmente a política do cinema, um setor em geral relegado, que teima em não aceitar ficar em segundo plano num projeto de Nação. Da ambição de criar uma regulação à europeia na tentativa da Ancinav – e mesmo sem conseguir – chegar mais tarde à estratégia mais bem-sucedida que desemboca na Lei da TV Paga, essa sim cheia de efeitos que colhemos até hoje. Sua trajetória mostra que o Estado democrático pode promover avanços na construção de uma cultura soberana como pilar de um país soberano. Como gestor, o professor Orlando sempre falou mais alto. Para os jovens que chegavam ao MinC vindos do cinema, no governo Lula I, a generosidade desse cineasta foi a de fazer a ponte entre o Cinema Novo e uma turma de cineastas-gestores da qual tive alegria de fazer parte. Foi Orlando quem nos abriu caminho: passando, de geração a geração, a missão de disputar o Estado, a sociedade e a visão (ainda frágil) do lugar do audiovisual nesse tecido social. E as lutas de Orlando seguem imensamente vivas hoje, na discussão da regulação do streaming, por exemplo. Seguem tão viscerais como eram há 20 anos. São cenas de um mesmo filme. Filme em que Orlando Senna seguirá sendo personagem central e inspiração incontornável”.

CECILIA AMADO, cineasta (“Capitães da Areia” e produtora de “O Amor Dentro da Câmera”) – “Orlando meu querido, meu amigo, difícil medir o tanto que aprendi contigo e o tanto que nos divertimos juntos, fazendo filmes, ouvindo e contando historias do cinema e da sua juventude, da sua Chapada Diamantina, da sua estrela Conceição, também minha amada. Minha gratidão e admiração são eternas. A oportunidade de estar ao seu lado no seu último longa, “Longe do Paraíso”, e também de produzir esse “Amor Dentro da Câmera”, filme das amigas Mille e Lara, foram diamantes na minha trajetória e na minha vida. Desejo um céu de estrelas para seu reencontro com Conce! Boa viagem, meu amigo!”.

HENRIQUE DANTAS, cineasta baiano, diretor de “João: o Admirável Novo Mundo Baiano”, “Dorivando Saravá, o Preto que Virou Mar”, “Anti-Heróis do Udigrúdi Baiano” e “O Jardim dos Silêncios” – “O que falar da pessoa que me enxergou como cineasta? Que botou a estrela no meu peito, em cima do coração, e me disse que o cinema é um ato revolucionário, político e de afeto. Orlando tem uma importância em minha vida absurda, incomensurável. Ele e Geraldo Sarno foram meus pais/mestres do cinema. Se comecei a fazer cinema por conta de ‘Superoutro’, me identifiquei enquanto cinesta depois que Orlando assim me viu. Seu olhar, suas lentes sempre foram horizontes para minha vida. Num dos cursos que fiz com ele, de roteiro, ele dizia que, segundo Hegel, você tem um grande conflito, uma grande história, quando os dois lados estão com sua razão. Hoje entendo que, com sua passagem, tanto o Orun está feliz, quanto o Ayê está triste com a mesma passagem. Os dois lados com muita razão e eu com a certeza de novos encontros no pós-cinema, da pós-vida. Olorun Kosí Purê. Orlando participou de quatro filmes que fiz. Era uma voz guia, uma voz de Orixá”.

MANUELA DIAS, dramaturga baiana e autora de novelas e minisséries da Rede Globo (no Facebook) – “O grande, o imenso, o mestre Orlando Senna hoje partiu pro Orum. Mestre, como agradecer o infinito privilégio de ter sido sua aluna, sua discípula? Seu olhar me fez mais forte e mais capaz. Obrigada por ter acreditado em mim, por ter me levado para Cuba, por tantas lições sempre tão doces. Aprendê-las e te ouvir sempre foi música. Nesse momento, o Orum está em festa! Conceição, nossa Consa, canta enquanto você sobe. E nós te celebramos. Eu te amo, mestre… hoje e sempre!! Viva o cinema! Viva Orlando Senna!”

ALFREDO CALVINO, distribuidor de cinema (com a Habanero Film Sales) de origem cubana, com longa atuação no Brasil – “Que tristeza profunda! Orlando Senna foi grande em todos os sentidos, cineasta, roteirista, jornalista, diretor da EICTV, do Centro de Dramaturgia no Ceará. Grande amigo, grande ser humano, para mim, para nós, pois falo também por minha companheira Patrícia e nossa filha Valéria. Para nós, ele foi também um pai. Por ele, chegamos ao Brasil, por ele, e também por Conceição Senna, fomos abraçados, adotados, viramos ‘brasileiros’ e por aqui ficamos. Obrigado mesmo caro amigo pelo tanto que nos deu em vida. Muita luz na sua viagem”.

SOLANGE SOUZA LIMA MORAES, produtora de cinema da Bahia e discípula de Orlando Senna – “Nosso Orlando Senna sai de cena, mas deixa eternamente em CENA seu legado IMENSO. Desde a genialidade à Ética. Agora, ele deve estar do lado da sua musa inspiradora, seu grande amor, Conceição Senna. Deixa órfãos os seus filhos da família cinematográfica do Brasil e Américas. Orlando Senna, nossa eterna gratidão por pensar o cinema com poesia, mas também politicamente de forma inclusiva e pulsante. Siga em paz eterno mestre”.

SERGIO MACHADO, cineasta baiano, diretor de “Onde a Terra Acaba”, “Cidade Baixa” e “Arca de Noé” – “Perdemos num mesmo dia o cineasta Orlando Senna e o diretor de arte Tulé Peake. Triste demais com essas perdas. Orlando era um craque, tive a oportunidade de ser orientado por ele num núcleo de desenvolvimento de roteiros. Fiquei impressionado tanto com o conhecimento dele quanto com a delicadeza e forma como sabia conduzir a sala e tirar o melhor de cada um. Além de ser um grande artista era um grande gestor. Vivemos um dos grandes momentos do cinema brasileiro quando ele esteve no Governo, ao lado do ministro da Cultura, Gilberto Gil”.

CENTRO TÉCNICO DO AUDIOVISUAL (CTAv-MinC) – Além de divulgar testemunho de Orlando Senna sobre o processo de criação de “Diamante Bruto”, a instituição registou seu pesar pelo falecimento de “Orlando Senna, ex-Secretário Nacional do Audiovisual, cineasta, escritor, jornalista, dramaturgo, professor, entre tantos outros papeis que desempenhou como realizador e criador de políticas públicas do audiovisual e da cultura. No cinema contribuiu para grandes obras como a direção de ‘Iracema – Uma Transa Amazônica’, codirigido ao lado de Jorge Bodanzky, e os roteiros de ‘O Rei da Noite’ e ‘Ópera do Malandro’. Na Secretaria Nacional do Audiovisual, Senna, entre inúmeras outras contribuições, criou a TV Brasil, onde também assumiu a direção geral da emissora. Também atuou como diretor do Centro de Dramaturgia do Instituto Dragão do Mar, em Fortaleza, foi presidente da Televisión América Latina (TAL), diretor de programação do CineBrasilTV, integrou o conselho da Fundación del Nuevo Cine Latinoamericano e da Spcine e fundou, junto de Gabriel García Márquez e Fernando Birri, a Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños (EICTV), em Cuba”.

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