Devora-me

O cineasta maranhense Lucas Sá, de 22 anos, tem conseguido cada vez mais destaque com seus curtas. Depois do documentário “No Interior de Minha Mãe” (2013), o diretor retorna ao horror, gênero de “O Membro Decaído” (2012), com “Nua por Dentro do Couro” (2014), selecionado por Brasília, Toulouse, entre outros, e premiado como melhor imagem no Janela. No filme, uma estranha criatura carnívora exerce um fascínio erótico em sua dona (Gilda Nomacce), com direito a uma boa dose de sangue. A sobrevivência se atrelará diretamente a uma vizinha do prédio (Miriã Possani). “O meu interesse no cinema é captar o que há de mais belo. A morte, que está atrelada ao horror, é talvez um momento singular de um personagem ficcional, é o ápice de um instante sublime, por isso, belo”, comenta Sá.

Tudo começou em 2009, quando Lucas Sá teve a ideia inicial. “O roteiro foi se alimentando de várias referências do cinema de horror que estava vendo na época, como ‘O Homem de Palha’. Minha vontade sempre foi fazer um filme de sacrifício, algo que servisse de alimento para uma coisa cada vez maior que o alimentado”, conta. Há inclusive uma planta carnívora, aludindo a filmes como “A Loja dos Horrores”, de Roger Corman. “A planta carnívora representa esse sacrifício, só que ao contrário do filme ele é real. A mosca (a presa) e a planta (o predador) servem de metáfora para a relação das duas protagonistas”, complementa.

Filmado em quatro dias, em novembro de 2013, em Pelotas/RS, onde Sá estuda, com menos de R$ 9 mil, “Nua por Dentro do Couro” trabalha com inserções bem atípicas ao cinema de gênero e que tem marcado os filmes do diretor. “Gosto muito dessas inserções abobadas do cotidiano; tenho um apreço pelo senso comum. O Guaraná Jesus do ‘O Membro Decaído’ entra mais como um fetiche meu com a cor rosada do refrigerante (e que participou muito da minha infância) e o cupcake do ‘Nua por Dentro do Couro’ foi uma forma de deixar claro que as personagens ‘jovens’ do filme estão inseridas nesse meio colorido e afetado dos cupcakes. São elementos que servem de interferência nos filmes, quebram a tensão e por um momento invertem isso, tornando o clima cômico”, explica.

Com uma média de um curta por ano, Lucas Sá não para. No momento, está montando um longa maranhense dirigido por Marcos Ponts, e termina o roteiro de dois longas, “Convite para Enterro” e “Entre Corpos”, este coescrito com Guilherme Lucas.

 

Por Gabriel Carneiro

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