Brasil terá destaque no FIC Luanda, entre competições e uma mostra dedicada ao cinema contemporâneo

O Brasil será uma das cinematografias em destaque na 8ª edição do Festival Internacional de Cinema de Luanda, que acontece de 28 de outubro a 2 de novembro, na capital angolana. A presença brasileira se distribui por três competições internacionais e por uma mostra própria, com realizadores de diferentes gerações, regiões e linguagens.

Na Competição Internacional de Ficção, o Brasil participa com “Narciso” (foto), de Jeferson De, uma produção da Buda Filmes estrelada por Faiska Alves, Juliana Alves e Cristiane Arenas. O longa acompanha um menino negro e órfão que sonha em ter uma família e encontra numa bola de basquete mágica uma possibilidade de transformar sua realidade.

A Competição Internacional de Documentário recebe “Cais”, de Safira Moreira, filme construído a partir de uma viagem entre a Bahia e o Maranhão e de uma reflexão sobre luto, memória e transmissão entre gerações. Já “O Segredo Sagrado”, de Everlane Moraes, disputa a Competição Internacional de Curtas com uma animação que parte de um conflito ancestral entre duas tribos e da figura da princesa Sikán.

Fora das competições, o FIC Luanda apresenta a Mostra do Cinema Brasileiro Contemporâneo, com curadoria da cineasta, produtora e pesquisadora baiana Daiane Rosário, que também estará presente no festival. O conjunto de filmes atravessa diferentes gerações, territórios e linguagens, com temas como memória, relações raciais, cultura urbana, identidade, juventude, família e transformações sociais. Entre os dez títulos programados para a mostra estão “Malês”, de Antônio Pitanga, “Funk”, de Aly Muritiba, “Black Rio! Black Power!”, de Emílio Domingos, “Manas”, de Marianna Brennand, e “Meu Pai e a Praia”, de Marcos Alexandre. A seleção inclui ainda “Olhe para Mim”, de Rafhael Barbosa, “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, de André Novais, “Lagrimar”, de Paula Vanina, “Boiúna”, de Adriana Faria, e “Banzeiro Maresia”, de Pablo Monteiro.

A programação do Brasil no FIC Luanda 2026 busca apresentar ao público angolano uma visão mais diversa da produção contemporânea do país, para além das referências mais conhecidas pela televisão. Ao mesmo tempo, amplia o contato entre profissionais e públicos dos dois países e cria possibilidades de circulação para obras e realizadores em Angola.

Essa presença brasileira ganha força num momento de retomada do próprio FIC Luanda, que volta ao calendário cinematográfico angolano depois de onze anos. A 8ª edição apresenta mais de 100 filmes de mais de 20 países, envolve cerca de 160 profissionais e tem expectativa de receber 6 mil espectadores. A Nigéria é o país convidado. Além das exibições, a agenda inclui competições, mostras, oficinas, masterclasses e encontros ligados à produção, curadoria, programação, preservação e memória cinematográfica. O FIC Luanda busca consolidar a capital angolana como ponto de encontro entre filmes, profissionais e públicos da África e de outras regiões, com a ambição de se afirmar entre os principais festivais de cinema do continente nos próximos anos.

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