Mostra Mosfilm reúne realizações de Eisenstein, Tarkovsky e Mikhail Romm e apresenta versão integral de “Os Irmãos Karamázov”
Foto: “Andrei Rublev”, de Andrei Tarkovsky
Por Maria do Rosário Caetano
A décima-segunda edição da Mostra Mosfilm de Cinema Soviético e Russo – na Cinemateca Brasileira, da quarta-feira, 11, até dia 22 de novembro – tem pelo menos três programas obrigatórios.
O primeiro trará cópia restaurada em 4K do sexagenário “Andrei Rublev” (1966), épico religioso de Andrei Tarkovsky. A exibição (rezemos para não chover!) acontecerá ao ar livre, no imenso pátio da Cinemateca Brasileira.
Outro nome da linha de frente do cinema soviético, o letão Sergei Eisenstein, será lembrado com sessão especial de “O Velho e o Novo” (ou “A Linha Geral”), que ele realizou em parceria com Grigori Aleksandrov, 97 anos atrás. Versão sintética desse canto à coletivização do campo (com 90 minutos, ao invés de 121 originais) será exibida com acompanhamento ao vivo da pianista Dudah Lopes. A mesma instrumentista e compositora que musicou, em edições passadas do Festival Mosfilm, o vanguardista e satírico “As Aventuras Extraordinárias de Mr. West no País dos Bolcheviques”, do mestre Lev Kulechov.
O terceiro programa imperdível da Mostra Mosfilm é a versão soviética de “Os Imãos Karamázov”, de Ivan Pyriev, que dura 224 minutos (quase quatro horas, divididas em três partes).
Os norte-americanos já haviam realizado, em 1958, versão, à moda de Hollywood, do denso romance de Fyodor Dostoiévski, condensado em pouco mais de 2 horas. E centrado na história de amor de Dimitri Karamázov pela lindíssima Grushenka, amante de seu pai, o velho Fyodor Karamázov. Richard Brooks (1912-1992), o diretor, tomou muitas liberdades. Principalmente no desfecho, pois Hollywood sempre gostou de finais felizes.
Passados dez anos, Ivan Pyriev (1901-1968) resolveu buscar a maior fidelidade possível ao conterrâneo Dostoiévski. E consumir o tempo que se mostrasse necessário para narrar, em idioma russo, a difícil relação, banhada em ódios, vodka e farras, entre o Senhor Karamázov e seus filhos. Antes de concluir o filme, Pyriev morreu. Tinha apenas 67 anos. Dois de seus atores protagonistas (Kirill Lavrov e Mikhail Ulyanov) concluíram a ambiciosa adaptação dostoievskiana.
O elenco soviético é formidável. Mas o filme está longe de ser um marco na história do cinema eslavo. Pyriev vinha de musicais e melodramas edificantes, muitos deles filiados ao Realismo Socialista. Se comparado com o filme hollywoodiano, o “Karamázov” soviético soa bem mais convincente. O elenco de Brooks, liderado por Yul Bryner (ator nascido em Vladivostok, na Rússia!) causa estranhamento. Ele, que interpreta Dimitri Karamázov, não tem um fio de cabelo na cabeça. Já seus irmãos, Ivan (Richard Basehart), Aliosha (William Shatner) e o bastardo Smerdyakov (Albert Salmi), são donos de fartas e alouradas cabeleiras “eslavas”.
O filme norte-americano é falado em inglês, claro!, e tem na lindíssima (e austríaca) Maria Shell sua protagonista absoluta. Ela e Dimitri quase apagam os outros personagens. Isso não acontece no filme de Pyriev. Que alcançou imenso sucesso na URSS (35 milhões de espectadores), foi selecionado para o Festival Internacional de Moscou e indicado ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira, em 1970 (perdeu para “Z”, de Costa-Gavras, representante da Argélia).
Quem acompanha, com interesse, o reconhecimento que hoje se dá a realizadoras que ficaram à sombra de seus companheiros, há de conferir “Poema do Mar” (1958), de Yulia Solntseva, roteirizado por Aleksandr “Terra” Dovzhenko (1894-1956). A cineasta moscovita (1901-1989), que foi atriz (inclusive de “Aelita”, ficção científica de Protazonov) e colaboradora incansável do marido famoso, seria reconhecida, pelo menos na Europa, em sua trajetória como diretora.
Em 1959, o marido morto de Yulia receberia o Prêmio Lênin (póstumo) pelo roteiro de “Poema do Mar”. Prêmio referendado pelo historiador e crítico francês Georges Sadoul, que o definiria como “primeiro filme verdadeiramente póstumo da história do cinema”. Ou seja, mesmo filmado por Yulia, tratava-se de “um legítimo filme de Dovzhenko”. Registre-se que, em 1960, “Poema do Mar” foi incluído pela revista Cahiers du Cinéma em sua lista dos 10 melhores filmes do ano.
O talento da atriz-cineasta Yulia Solntseva seria reconhecido em Cannes, em 1961. Seu longa-metragem (que ela realizara sozinha, “A Epopeia dos Anos de Fogo”) lhe renderia a Palma de Ouro de melhor direção. O roteiro era herança de Dovzhenko, mas ele morrera cinco anos antes.

No terreno da curiosidade (e do risco) há que conferir dois filmes que Sergei Bondarchuk, de “Guerra e Paz”, épico bélico premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1968, realizou a partir de dois livros de John Reed (Portland-EUA, 1887 / Moscou, 1920) – “México Insurgente” e “Os Dez Dias que Abalaram o Mundo”.
Em 1982, Bondarchuck ainda gozava de grande prestígio internacional. Além do Oscar pela adaptação de Tolstoi, ele dirigira “Waterloo” (1970), épico sobre a derrota de Napoleão Bonaparte para os ingleses. Comandou elenco internacional liderado por Rod Steiger, Christopher Plummer e Orson Welles, além de verdadeiro exército de figurantes, emprestados pelo bem-treinado Exército Vermelho Soviético.
Foi, pois, respaldado pelo sucesso de “Guerra e Paz” e “Waterloo” que Bondarchuk resolveu dedicar-se à Revolução Mexicana e à Revolução Bolchevique (filtrada pelo olhar socialista, mas estrangeiro, de John Reed).
Para o primeiro filme (o díptico foi intitulado de “Sinos Vermelhos – México em Chamas” e “Sinos Vermelhos – Vi o Nascimento de um Novo Mundo”), ele escalou o italiano Franco Nero, a suíça Ursula Andress (sim a deusa de “O Satânico Dr. No”, filme inaugural da franquia “007”), e os latinos Jorge Luke e Jorge Reynoso. Para o segundo, reprisou a parceria com Franco Nero, secundado por Anatoly Ustyuzhaninov, Sydne Rome e Bogdan Stupka.
Nenhuma dessas ambiciosas adaptações de John Reed alcançou reconhecimento internacional. Mas tudo que se refere ao escritor e militante socialista deve despertar, ao menos, curiosidade. Além de escrever dois best sellers que correram mundos, ele morreu de tifo durante a Guerra Civil entre Vermelhos e Brancos. Ativista da Revolução Bolchevique, Reed tinha apenas 32 anos (faria 33 dias depois). Foi enterrado com honras de herói na Necrópole da Muralha do Kremlin, ao lado da Praça Vermelha moscovita.
No campo das obras imprescindíveis que o festival, organizado pela CPC-UMES, em parceria com os Estúdios Mosfilm, programou, há que reafirmar a grandeza de “Andrei Rublev”, de beleza epifânica, e a ousadia das imagens de “O Velho e o Novo”. Mesmo que este filme seja, junto com “O Prado de Bezhin” (ou “Traição na Campina”), o título menos conhecido do gênio do Construtivismo Russo. Todo mundo conhece (ou já ouviu falar) de “Encouraçado Potenkin”, “Outubro”, “Alexandre Nevsky” e dos dois “Ivan, o Terrível”. Sem esquecer “A Greve” e o inacabado “Que Viva México”. Mas “O Velho e o Novo” e “Bezhin”, em certa medida, acabaram ofuscados pela posteridade.
As imagens e enquadramentos de Eduard Tissé, o fotógrafo preferido de Eisenstein, para “O Velho e o Novo” são arrebatadores. O filme resulta de impressionante soma de ficção e documentário. E nos envolve em verdadeira vertigem visual (e olhe que a referência, aqui, é oriunda da versão de 121 minutos).
Camponeses, seus objetos e animais (bois e uma “noiva-vaca”, carneiros, porcos, perus, insetos) ocupam a tela de maneira hipnotizante. Primeiro vemos o atraso e o misticismo dos camponeses (será que Glauber viu “O Velho e o Novo” antes de conceber as cenas do Beato Sebastião e de seus seguidores em Monte Santo?). Depois chegam as máquinas (cremedeiras, tratores, colhedeiras) e o progresso. Um filme impressionante, notável.
Abaixo, a lista completa dos longas-metragens que compõem a Mostra Mosfilm Ano XII, em ordem cronológica. Do mais antigo, “O Velho e o Novo”, último filme da fase silenciosa de Eisenstein, ao mais recente – “Venenos, ou a História Mundial do Envenenamento”, de Karen Shakhnazarov, presidente dos Estúdios Mosfilm e diretor de “Cidade Zero”, “Tigre Branco”, e “Anna Karenina – A História de Vronsky”.
XII Mostra Mosfilm de Cinema Soviético e Russo
12 filmes produzidos de 1929 até 2001
Data: de 11 a 22 de novembro
Local: Cinemateca Brasileira
Entrada franca
Sessão com trilha sonora ao vivo acompanhada pela pianista Dudah Lopes do filme “O Velho e o Novo”, de Eisenstein – Sábado, 21 de novembro, 14h15
Instalação (e Oficina) “Matryoshkas: Universos Dentro do Universo”, por Nadia Starikoff – Sábados, 14 e 21 de novembro, 12h
Promoção conjunta do Núcleo de Cultura da UMES (União Metropolitana de Estudantes – São Paulo) e dos Estúdios Mosfilm, implantados na capital soviética (e russa), em 1924 (portanto, há 102 anos)
FILME A FILME
. O VELHO E O NOVO (ou “A Linha Geral”, URSS, 1929, pxb, 90′, Livre). Direção de Sergei Eisenstein & Grigori Aleksandrov. Com Marfa Lapkina, M. Ivanin, Konstantin, Vasilyev,Vasili, Buzenkov, Nejnikov. Os diretores de “Greve” realizaram “O Velho e o Novo” na zona rural da Uniso das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Seu tema é a coletivização da agricultura. A chegada de uma desnatadeira e um trator tem a missão de modificar arraigados procedimentos de manuseio da terra dos camponeses que nela habitam e trabalham.
. O VOO ESPACIAL (URSS, 1933, 65′, ficção científica, Livre). Direção: Vassily Zhuravlyov. Roteiro: Aleksander Filimonov. Música: Valentin Kruchinin. Elenco: Vasily Kovrigin, Serguei Komarov e V. Gaponenko – Em 1946, experimentos são realizados no Instituto de Comunicações Interplanetárias de Moscou para preparar uma missão lunar. No entanto, os primeiros voos não obtêm sucesso. O cientista Pavel Sedykh parte então para a Lua no gigantesco foguete “Joseph Stalin”, criado por ele, acompanhado por sua assistente e um jovem inventor, que embarca clandestinamente na espaçonave. Realizado com participação direta de Konstantin Tsiolkovski, o pai da cosmonáutica soviética. Ele atuou como consultor científico e preparou desenhos e esquemas para a produção.
. A ÚLTIMA NOITE (URSS, pxb, 92′, drama, 14 anos) – Direção: Yuli Raizman e Dmitry Vassiliev. Roteiro: Yuli Raizman e Evgeny Gabrilovich. Música: Aleksandr Veprik. Elenco: Ivan Peltzer, Maria Yarotskaya, Nikolai Dorokhin e Aleksei Konsovsky. Na última noite do Império Russo, em outubro de 1917, os destinos de duas famílias muito diferentes se encontram: a do capitalista Leontiev e a do operário Zakharkin. Os filhos de ambos participam juntos da revolta operária de Moscou. Vencedor do Grande Prêmio da Exposição Universal de 1937, em Paris. Cópia restaurada em 1985.
. “NÚMERO 217” (URSS, 1944, pxb, 100′, drama, 16 anos) – Direção: Mikhail Romm. Roteiro: Evgeny Gabrilovich e Mikhail Romm. Música: Aram Khachaturian. Elenco: Elena Kuzmina, Anna Lisyanskaya e V. Zaychikov – Em 1942, Tanya é enviada à Alemanha nazista para cumprir trabalhos forçados (em residências germânicas). Desembarca e é mandada para a casa de um comerciante, que já mantinha outro prisioneiro, o professor Serguei Ivanovich. Os dois vão se ajudar para suportar os horrores da guerra e do trabalho forçado, enquanto sonham escapar. Vencedor do Prêmio da Associação de Cineastas Soviéticos e participante da disputa pela Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1946. Romm construiu o filme a partir de testemunhos reais de jovens que haviam escapado do trabalho forçado na Alemanha.
. POEMA DO MAR (URSS, 1958, cor, 105′, drama, Livre). Direção: Yulia Solntseva. Roteiro: Aleksandr Dovzhenko. Música: Popov Gavriil. Elenco: Boris Livanov, Zinaida Kirienko, Boris Andreev e Mikhail Tsarev. Em 1956, numa vila às margens do Rio Dnieper prestes a ser inundada, pessoas nascidas ali atendem ao chamado do presidente da fazenda coletiva local para se despedir de sua terra natal. Para a geração mais velha é muito difícil despedir-se de lugares que evocam tantas memórias, enquanto os jovens trabalham alegremente nas obras, confiantes de que estão diante de um futuro brilhante.
. ANDREI RUBLEV (URSS, 1966, pxb, 182′, drama, 16 anos) – Direção: Andrei Tarkovsky. Roteiro: Andrei Mikhalkov-Konchalovsky e Andrei Tarkovsky. Música: Vyacheslav Ovchinnikov. Com Anatoly Solonitsyn, Rolan Bykov, Nikolai Grinko, Yury Nikulin, Irma Rausch e Mikhail Kononov – No verão de 1400, Andrei Rublev deixa o monastério onde foi criado e dirige-se a Moscou para pintar afrescos de uma catedral do Kremlin. Lá, é confrontado com a violência e as dificuldades a que o povo russo era submetido – na época, a pobreza e as invasões tártaras. O filme é dividido em histórias curtas que desenham visão dos caminhos que levaram o monge, canonizado em 1988, a tornar-se o maior pintor de ícones da escola medieval russa. No Festival de Cannes de 1969, o filme de Tarkovsky venceu o Prêmio Fipresci -Federação Internacional de Críticos de Cinema. Segundo longa do realizador, “Rublev” traz evidências de suas concepções introspectivas, contemplativas e religiosas, marcas mais importantes de sua obra.
. OS IRMÃOS KARAMAZOV (URSS, 1968, cor, 224′, drama, 12 anos). Direção: Ivan Pyriev (finalizado por Kirill Lavrov e Mikhail Ulyanov). Música: Isaak Schwartz. Com Mikhail Ulyanov, Lionella Pyryeva, Kirill Lavrov, Andrei Myagkov e Mark Prudkin. Baseada no romance homônimo de Fyodor Dostoiévski, a trágica história dos Karamazov desenrola-se nas províncias russas no fim do século XIX. A relação entre o pai e três irmãos muito diferentes é complexa e contraditória, culminando em misterioso assassinato. O longa é dividido em 3 partes. Participou do Festival Internacional de Cinema de Moscou (1969) e foi indicado ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira (1970).
. DOMANDO O FOGO (URSS, 1972, cor, 164′, drama, Livre) – Direção e roteiro: Daniil Khrabrovitsky. Música: Andrei Petrov. Elenco: Kirill Lavrov, Ada Rogovtseva, Igor Gorbachyov e Andrei Popov – O filme narra o desenvolvimento do programa espacial soviético, desde seu início até a criação de foguetes de longo alcance. No centro da narrativa está a trajetória de Andrei Bashkirtsev, projetista-chefe que dedicou sua vida à exploração espacial. Sergei Korolyov, engenheiro e projetista que liderou o programa espacial soviético, foi a inspiração para o personagem Andrei Bashkirtsev. Parte das filmagens foi realizada em locais diretamente ligados ao programa espacial, entre eles o Cosmódromo de Baikonur e a Cidade das Estrelas. Matriz restaurada no Estúdio Mosfilm em 2024.
. SINOS VERMELHOS (díptico “México em Chamas” e “Vi o Nascimento de um Novo Mundo”, URSS, México e Itália). Baseados nos livros “México Insurgente” e “Os Dez Dias que Abalaram o Mundo”, do estadunidense John Reed (Portland-EUA, 1887 – Moscou, 1920). Direção: Serguei Bondarchuk. Música: Gueorgy Sviridov e Joaquin Eras. “Mexico em Chamas” venceu o Globo de Cristal no Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary, em 1982.
. SINOS VERMELHOS: MÉXICO EM CHAMAS (1982, cor, 133′, drama, 14 anos). Elenco: Franco Nero, Ursula Andress, Jorge Luke e Jorge Reynoso – “México em Chamas” mostra a Revolução Mexicana de 1910-1917, liderada por Emiliano Zapata e Pancho Villa. John Reed, oriundo de uma família burguesa abastada, abandona tudo em 1913 e parte como correspondente para o México, então tomado por uma revolução popular, compartilhando com os camponeses mexicanos todas as privações de sua luta. O mexicano Paul Leduc recriou essa história em um de seus filmes mais conhecidos “Reed, México Insurgente” (1973).
. SINOS VERMELHOS: VI O NASCIMENTO DE UM NOVO MUNDO (1982, cor, 137′, drama, 14 anos . Elenco: Franco Nero, Anatoly Ustyuzhaninov, Sydne Rome e Bogdan Stupka – O segundo filme da duologia, “Vi o Nascimento de um Novo Mundo” mostra a Revolução de Outubro de 1917, na Rússia, pelo olgar de Reed, revolucionário estadunidense, que depois de engajar-se na Revolução Mexicana, participou da Revolução Bolchevique. As impressões do escritor americano são complementadas, no filme de Bondarchuk, por reconstituição histórica dos acontecimentos, desde o retorno de Lênin à Rússia, em abril de 1917, até a tomada do Palácio de Inverno e a proclamação de Decreto sobre a Paz, durante o XI Congresso dos Sovietes.
. KIN-DZA-DZA! (URSS, 1986, cor, 133′, comédia, Livre) – Direção: Georgy Danelia. Roteiro: Revaz Gabriadze e Georgy Danelia. Música: Georgy Kancheli
Elenco: Stanislav Lyubshin, Levan Gabriadze, Evgeny Leonov e Yuri Yakovlev. Um engenheiro e um estudante de música encontram um sujeito mal vestido nas ruas de Moscou, que lhe dirige estranho pedido: as coordenadas da Terra numa certa galáxia. Intrigada, a dupla interage com o aparelho portado pelo estranho. Acaba transportada para Pluke, um planeta com normas sociais estranhas, escassez de recursos e linguagem bizarra. O filme nasceu de conversa do diretor Georgy Danelia com o grande roteirista italiano Tonino Guerra. Depois da estreia de “kin, Dza, Dza!”, um diretor norte-americano, teria, impressionado com o voo do ‘pepelats’, procurado Danelia para perguntar sobre efeitos especiais. O cineasta, em tom de brincadeira, responderia que “ fde fato, as máquinas voadoras haviam sido desenvolvidas por militares soviéticos”.
. VENENOS, OU A HISTÓRIA MUNDIAL DO ENVENENAMENTO (Rússia, 2001, cor, 104′, comédia, 16 anos). Direção: Karen Shakhnazarov. Roteiro: Aleksandr Borodyansky e Karen Shakhnazarov. Música: Anatoly Kroll. Elenco: Ignaty Akrachkov, Zhanna Dudanova, Oleg Basilashvili e Aleksandr Bashirov – Oleg Volkov descobre que sua esposa o está traindo. Num bar, conhece o imponente Ivan Petrovich, com quem compartilha sua situação. Petrovich tem uma solução: envenenar a esposa infiel. Começa então uma irreverente viagem no tempo, que passa por Xerxes e Catarina de Médici. O filme relembra alguns dos casos de envenenamento mais famosos da história mundial. Vencedor do Grande Prêmio do Festival Kinotavr (Rússia, 2001), e melhor roteiro no Festival Kindred (EUA, 2003).
