“O Agente Secreto” disputa três categorias no Globo de Ouro e chances de Wagner Moura como melhor ator dramático são significativas
Foto: “O Agente Secreto” © Victor Jucá
Por Maria do Rosário Caetano
O baiano Wagner Moura terá, nesse domingo, sua maior chance de conquistar uma nova estatueta – o Globo de Ouro – para colocar em sua estante, ao lado de troféu, recebido oito meses atrás, no Festival de Cannes, por seu desempenho em “O Agente Secreto”.
Para empalmar o prêmio da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA), cuja octogésima-terceira edição acontecerá nesse domingo, em Los Angeles, Wagner terá que superar Michael B. Jordan, do vampiresco “Pecadores”, Joel Edgerton, do cativante “Sonhos de Trem”, Oscar Isaac, da superprodução “Frankenstein”, Jeremy Allen White, da cinebiografia “Springsteen: Salve-me do Desconhecido”, e Dwayne Johnson, o brutamontes de “Coração de Lutador: The Smashing Machine”. Os cinco disputam a categoria de “melhor ator de drama”.
Os grandes rivais de Wagner Moura (no Oscar, caso ele seja um dos cinco finalistas) estão posicionados, no Globo de Ouro, em outra categoria (melhor comédia ou musical) – Timothée Chalamet, o tenista de mesa de origem judaica cinebiografado em “Marty Supreme”, Ethan Hawke, o protagonista absoluto de “Blue Moon”, e Leonardo DiCaprio, o pai abnegado e malucão de “Uma Batalha Após a Outra”, o sul-coreano Lee Byung Hun, do pauleira-pura “A Única Saída”, George Clooney, pelo apenas simpático “Jay Kelly”, e Jesse Plemons, pelo extravagante “Bugônia”.
O Globo de Ouro, regenerado e reembalado por duas empresas de entretenimento (Dick Clark e Eldridge), que o compraram da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, promete festa de muito glamour nesse domingo. Hoje, a HFPA conta com poderosos veículos de comunicação em sua retaguarda (Rolling Stone, Variety, The Hollywood Reporter e Deadline). Enquanto o Oscar caminha para os braços do YouTube (a partir de 2029, a centenária estatueta deixará TVs aberta e por assinatura), o prêmio da Imprensa Estrangeira será transmitido, no Brasil, por três emissoras – a Rede Globo, após o “Fantástico” (o que significa que os primeiros prêmios serão obliterados), a TNT e a HBO Max. Estes dois canais por assinatura ficarão por conta da festa, incluindo a chegada dos astros ao Tapete Vermelho. A cerimônia de entrega dos troféus começará às 21h30. A badalação, pelo menos uma hora antes.
Pela primeira vez na história do Globo de Ouro, o Brasil disputa três estatuetas. Além de melhor ator de drama (Wagner Moura), “O Agente Secreto” é um dos finalistas a melhor filme dramático e melhor filme internacional. Mas a disputa será dura. Seus principais concorrentes, ambos postados na categoria drama, são pesos-pesados. O norueguês “Valor Sentimental” recebeu sete indicações. O iraniano, que concorre sob bandeira francesa, “Foi Apenas um Acidente”, cinco.
Para complicar, Joachim Trier e Jafar Panahi estão postos como finalistas em categorias de imenso peso: melhor direção e melhor roteiro. Mas as surpresas existem para tornar a vida mais emocionante. E, se há um segmento em que Kleber Mendonça Filho e “O Agente Secreto” têm tido trajetória luminosa, é junto aos críticos. Os prêmios se multiplicam em associações e coletivos nos EUA, na França, na América Latina. E, não nos esqueçamos, o Globo de Ouro é atribuido por colégio de votantes vindo do jornalismo cultural (95 membros fixos e quase 300 convidados, oriundos de 60 países, o que implica em postura, digamos, mais cosmopolita.
Na categoria melhor filme internacional, “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça (Brasil), enfrentará, mais uma vez, os pesos-pesados “Valor Sentimental” e “Foi Apenas um Acidente”. O espanhol “Sirât”, de Oliver Laxe, tem se destacado em categorias ligadas a som e trilha sonora (emplacou cinco pré-indicações ao Oscar). O único filme dirigido por uma mulher – “A Voz de Hind Rajab”, da tunisiana Kaouther Ben Hania – causou sensação no Festival de Veneza. Tornou-se o franco-favorito ao Leão de Ouro, mas foi derrotado pelo azarão “Father Mother Sister Brother”, de Jim Jarmush. O sul-coreano “A Única Saída”, de Park Chan-wook, completa a lista de seis títulos (um a mais que o Oscar).
O Globo de Ouro segue, 83 anos depois de sua criação, apegado à divisão do cinema por gêneros (alguns dos preferidos da Hollywood clássica — drama, comédia ou musical), indiferente ao cinema documentário (cada vez mais importante e ousado) e a categorias técnicas (fotografia e montagem, por exemplo). Mas não abandonou o cinema de animação. Dos seis concorrentes desse ano, um vem da França (“Arco”, de Ugo Bienvenu), um do Japão (“Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Castelo Infinito”, de Haruo Sotozaki), outro da Bélgica (“A Pequena Amélie”, parceria com o Japão), um da Coreia do Sul (“Guerreiras do K-Pop”, de Maggie Kang e Chris Appelhans) e dois dos EUA (“Elio”, de Sharafian, Shi e Molina, e “Zootopia 2”, de Bush e Howard).
No terreno da produção para TV, que a HFPA sempre valorizou, serão premiadas as melhores séries, minisséries, “antologias” e telefilmes. Um título, com quatro indicações, causou sensação planetária em 2025 – a minissérie “Adolescência”, produção britânica que tem entre seus criadores, o ator Stephen Graham. Ele protagoniza essa magistral (e tão necessária) minissérie, no papel do pai de um pré-adolescente (o carismático Owen Cooper) que mata uma colega de escola. É o franco favorito ao Globo de Ouro de melhor ator. E Cooper pode ganhar sua estatueta como melhor coadjuvante. Aliás, o garoto disputa tal reconhecimento com cinco outros profissionais, sendo um deles seu colega de elenco, o ator afro-britânico Ashley Walters. Que dá vida a um complexo e ponderado detetive-inspetor, de nome Luke Bascombe.
Confira os concorrentes:
CINEMA
MELHOR FILME (DRAMA)
“O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça (Brasil)
“Valor Sentimental”, de Joachim Trier (Noruega)
“Foi Apenas um Acidente”, de Jafar Panahi (França-Irã)
“Pecadores”, de Ray Coogler (EUA)
“Hamnet – A Vida Antes de Hamlet”, de Chloé Zhao (EUA)
“Frankenstein”, de Guillermo del Toro (EUA)
MELHOR COMÉDIA OU MUSICAL
“Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson (EUA)
“A Única Saída”, de Park Chan-wook (Coréia do Sul)
“Nouvelle Vague”, de Richard Linklater (França-EUA)
“Blue Moon”, de Richard Linklater (EUA)
“Marty Supreme”, de Josh Safdie (EUA)
“Bugonia”, de Yorgos Lanthimos (Reino Unido-EUA)
MELHOR FILME EM LÍNGUA NÃO-INGLESA
“O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça (Brasil)
“Valor Sentimental”, de Joachim Trier (Noruega)
“Foi Apenas um Acidente”, de Jafar Panahi (França, Irã)
“A Única Saída”, de Park Chan-wook (Coreia do Sul)
“A Voz de Hind Rajab”, de Kaouther Ben Hania (Tunísia)
“Sirāt”, de Oliver Laxe (Espanha)
MELHOR LONGA DE ANIMACÃO
“Arco”, de Ugo Bienvenu (França)
“Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Castelo Infinito”, de Haruo Sotozaki (Japão)
“Elio”, de Madeleine Sharafian, Domee Shi, Adrian Molina (EUA)
“Guerreiras do K-Pop”, de Maggie Kang e Chris Appelhans (Coréia do Sul)
“A Pequena Amélie” (Little Amélie or the Character of Rain”), de Liane-Cho Han, Jin Kuang e Maïlys Vallade (Bélgica-Japão)
“Zootopia 2”, de Jared Bush e Byron Howard (EUA)
MELHOR ATOR (DRAMA)
Wagner Moura, “O Agente Secreto”
Joel Edgerton, “Sonhos de Trem”
Michael B. Jordan, “Pecadores”
Oscar Isaac, “Frankenstein”
Dwayne Johnson, “Coração de Lutador: The Smashing Machine”
Jeremy Allen White, “Springsteen: Salve-me do Desconhecido”
MELHOR ATRIZ (DRAMA)
Jessie Buckley, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”
Renate Reinsve, “Valor Sentimental”
Jennifer Lawrence, “Morra, Amor”
Julia Roberts, “Depois da Caçada”
Tessa Thompson, “Hedda”
Eva Victor, “Sorry, Baby”
MELHOR ATOR (COMÉDIA OU MUSICAL)
Ethan Hawke, “Blue Moon”
Lee Byung Hun, “A Única Saída”
Timothée Chalamet, “Marty Supreme”
Leonardo DiCaprio, “Uma Batalha Após a Outra”
George Clooney, “Jay Kelly”
Jesse Plemons, “Bugônia”
MELHOR ATRIZ (COMÉDIA OU MUSICAL)
Chase Infiniti, “Uma Batalha Após a Outra”
Rose Byrne, “Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria”
Amanda Seyfried, “The Testament of Ann Lee”
Emma Stone, “Bugônia”
Cynthia Erivo, “Wicked: Parte 2”
Kate Hudson, “Song Sung Blue: Um Sonho a Dois”
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Benicio Del Toro, “Uma Batalha Após a Outra”
Sean Penn, “Uma Batalha Após a Outra”
Jacob Elordi, “Frankenstein”
Paul Mescal, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”
Adam Sandler, “Jay Kelly”
Stellan Skarsgard, “Valor Sentimental”
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Inga Ibsdotter Lilleaas, “Valor Sentimental”
Elle Fanning, “Valor Sentimental”
Emily Blunt, “Coração de Lutador: The Smashing Machine”
Ariana Grande, “Wicked: Parte 2”
Amy Madigan, “A Hora do Mal”
Teyana Taylor, “Uma Batalha Após a Outra”
MELHOR DIREÇÃO
Chloe Zhao, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”
Jafar Panahi, “Foi Apenas um Acidente”
Paul Thomas Anderson, “Uma Batalha Após a Outra”
Ryan Coogler, “Pecadores”
Guillermo Del Toro, “Frankenstein”
Joachim Trier, “Valor Sentimental”
MELHOR ROTEIRO
Paul Thomas Anderson, “Uma Batalha Após a Outra”
Ronald Bronstein e Josh Safdie, “Marty Supreme”
Ryan Coogler, “Pecadores”
Jafar Panahi, “Foi Apenas um Acidente”
Chloé Zhao e Maggie O’Farrell, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”
Eskil Vogt e Joachim Trier, “Valor Sentimental”
MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
Ludwig Göransson, “Pecadores”
Kangding Ray, “Sirāt”
Hans Zimmer, “F1”
Alexandre Desplat, “Frankenstein”
Max Richter, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”
Jonny Greenwood, “Uma Batalha Após a Outra”
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“I Lied to You” – Raphael Saadiq, Ludwig Göransson (“Pecadores”)
“Dream as One” – Miley Cyrus, Simon Franglen, Mark Ronson e Andrew Wyatt (“Avatar: Fogo & Cinzas”)
“Golden” – Ejae, Mark Sonnenblick, Ido, 24, Teddy (“Guerreiras do K-Pop”)
“No Place Like Home” – Stephen Schwartz (“Wicked: Parte 2”)
“Train Dreams” – Nick Cave, Bryce Dessner (“Sonhos de Trem”)
“The Girl in the Bubble” – Stephen Schwartz (“Wicked: Parte 2”)
CONQUISTA CINEMATOGRAFIA E DE BILHETERIA
“Avatar: Fogo & Cinzas”
“F1”
“Guerreiras do K-Pop”
“Missão: Impossível — O acerto final”
“Pecadores”
“Superman”
“A Hora do Mal”
“Wicked: Parte 2”
“Zootopia 2”
TELEVISÃO
MELHOR SÉRIE DRAMA
“The Diplomat”
“The Pitt”
“Pluribus”
“Ruptura”
“Slow Horses”
“The White Lotus”
MELHOR ATOR (SÉRIE DRAMA)
Sterling K. Brown, “Paradise”
Diego Luna, “Andor”
Gary Oldman, “Slow Horses”
Mark Ruffalo, “Task”
Adam Scott, “Ruptura”
Noah Wyle, “The Pitt”
MELHOR ATRIZ (SÉRIE DRAMA)
Kathy Bates, “Matlock”
Helen Mirren, “Mobland”
Britt Lower, “Ruptura”
Bella Ramsey, “The Last of Us”
Keri Russell, “A Diplomata”
Rhea Seehorn, “Pluribus”
MELHOR SÉRIE (COMÉDIA OU MUSICAL)
“Abbott Elementary”
“O Urso”
“Hacks”
“Ninguém Quer”
“Only Murders in the Building”
“O Estúdio”
MELHOR ATOR (SÉRIE COMÉDIA OU MUSICAL)
Adam Brody, “Ninguém Quer”
Steve Martin, “Only Murders in the Building”
Martin Short, “Only Murders in the Building”
Seth Rogen, “O Estúdio”
Jeremy Allen White, “O Urso”
Glen Powell, “Chad Powers”
MELHOR ATRIZ (SÉRIE COMÉDIA OU MUSICAL)
Kristen Bell, “Ninguém Quer”
Ayo Edebiri, “O Urso”
Selena Gomez, “Only Murders in the Building”
Natasha Lyonne, “Poker Face”
Jenna Ortega, “Wandinha”
Jean Smart, “Hacks”
MELHOR MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME
“Adolescência”
“All Her Fault”
“O Monstro em Mim”
“Black Mirror”
“Morrendo por Sexo”
“A Namorada Ideal”
MELHOR ATOR (MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME)
Stephen Graham, “Adolescência”
Jacob Elordi, “The narrow road to the deep north”
Paul Giamatti, “Black Mirron”
Jude Law, “Black Rabbit”
Charlie Hunnam, “Monster: a História de Ed Gein”
Matthew Rhys, “O Monstro em Mim”
MELHOR ATRIZ (MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME)
Claire Danes, “O Monstro em Mim”
Rashida Jones, “Black Mirror”
Amanda Seyfried, “Long Bright River”
Sarah Snook, “All her Fault”
Michelle Williams, “Dying for Sex”
Robin Wright, “The Girlfriends”
MELHOR ATOR COADJUVANTE (SÉRIE)
Owen Cooper, “Adolescência”
Ashley Walters, “Adolescência
Billy Crudup, “The Morning Show”
Walton Goggins, “The White Lotus”
Jason Isaacs, “The White Lotus”
Tramell Tillman, “Ruptura”

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