17º Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa exibe 60 filmes e tem expressiva presença brasileira
Foto © Luciana Melo
De 1 a 11 de outubro, Lisboa volta a ser a capital do cinema lusófono com a chegada da 17ª edição do FESTin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa. Ao longo de onze dias, o festival vai exibir 60 filmes, distribuídos entre o Fórum Lisboa, o Cinema City Campo Pequeno, o Auditório Camões e o espaço Avenidas – Um Teatro em Cada Bairro. Sob o mote da celebração conjunta dos seus 17 anos de existência e dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a programação deste ano cruza ficção, documentário, sessões especiais e mostras competitivas que atravessam as múltiplas geografias, identidades e memórias do espaço lusófono.
A sessão de abertura oficial está marcada para o dia 1º de outubro, no Cinema City Campo Pequeno, com a exibição da comédia brasileira “Verão da Lata”, de Santiago Dellape. O filme recupera uma história verídica que marcou o Rio de Janeiro no final dos anos 80: o aparecimento nas praias da cidade de milhares de latas contendo canábis, lançadas ao mar por traficantes. As mostras competitivas de longas-metragens, curtas-metragens, documentários e cinema infantil estendem-se até ao dia 11 de outubro, oferecendo ao público uma panorâmica diversificada da recente produção cinematográfica em língua portuguesa.
O cinema documental ocupa igualmente um lugar de destaque nesta edição, com diferentes olhares sobre identidade, memória, território e realidade social. Entre as propostas portuguesas encontra-se “Mamã Guiné, a Alma da Guiné-Bissau”, de Filipe Traslatti e Maurício Franco, um documentário que acompanha os preparativos do Carnaval Nturudu e celebra a reconstrução da identidade do povo guineense, dividido entre diferentes etnias e línguas, mas unido pela força da cultura e pelo legado da terra. A programação inclui também “Uma Casa com a Rua Lá Dentro”, de André Moniz Vieira, que reúne pessoas em situação de sem-abrigo, profissionais do serviço social e artistas de cinema num processo de criação coletiva, transformando fragmentos de vidas reais em curtas-metragens de ficção. Duas obras que, a partir de contextos distintos, colocam no centro do olhar cinematográfico a comunidade, a identidade e as experiências de quem habitualmente permanece à margem.
A presença africana afirma-se ainda através de Angola, com a exibição de “Kahitu”, de Alberto Botelho, integrado na Modalidade Prêmio CPLP. Baseado na obra literária de Uanhenga Xitu, o filme acompanha a vida de Kahitu, uma criança que nasce com uma deficiência física e cresce confrontada com a exclusão e a incompreensão, num contexto profundamente marcado pelos valores tradicionais, pelos mitos e pelas crenças sobrenaturais. A obra estabelece um diálogo entre cinema, literatura e cultura angolana, trazendo para o FESTin uma narrativa onde as tradições e as crenças influenciam profundamente a vida das personagens e da comunidade.
Entre os grandes momentos desta edição, destaca-se ainda a exibição, fora de competição, do documentário “Na Lata”, numa sessão que contará com a presença da cantora brasileira Fernanda Abreu. O encerramento do festival será com a projeção de “Querido Mundo”, longa-metragem realizado por Miguel Falabella, que também estará presente na sessão para apresentar a sua obra ao público português. A noite de encerramento ficará ainda marcada por uma homenagem especial ao consagrado ator brasileiro Reginaldo Faria, celebrando a sua longa e marcante trajetória no cinema e na televisão. O festival também homenageará Cavi Borges, com o Prêmio Carreira.
Para além das salas de cinema, o festival expande horizontes com o FESTin Verde, uma extensão do evento que irá ocupar a Casa Jardim da Estrela, a partir de 6 de outubro, com inauguração agendada para às 18h. Trata-se de uma exposição concebida especificamente para assinalar as três décadas da CPLP, tomando as questões ambientais como eixo curatorial. Intitulada “Verdes Plurais”, a mostra reúne o trabalho de diversos artistas contemporâneos do espaço lusófono e propõe uma reflexão alargada sobre a ecologia e as interdependências entre seres humanos e territórios, projetando futuros comuns que continuam a ser construídos entre as suas diversas realidades.
